O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (5) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A decisão veio em linha com a expectativa predominante entre os analistas do mercado financeiro.
Este foi o quarto corte consecutivo promovido pelo Banco Central. Desde o início do atual ciclo de redução, a Selic acumula queda de um ponto percentual, depois de permanecer em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026.
Apesar da redução, a taxa básica de juros continua em patamar elevado. A política monetária permanece restritiva com o objetivo de controlar a inflação e aproximá-la da meta de 3%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
A inflação oficial acumula alta de 3,36% em 2026 e de 4,64% nos 12 meses encerrados em junho, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Inflação ainda exige cautela
Para o economista Marcos Vinícius Oliveira, da ZIIN Investimentos, o corte já era amplamente esperado e fazia parte do cenário-base da instituição.
O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,06% em julho, resultado abaixo das projeções do mercado. Na avaliação do economista, o dado contribuiu para dar maior segurança ao Banco Central na continuidade do ciclo de redução dos juros.
Oliveira, porém, pondera que parte da desaceleração observada nos preços ocorreu em componentes mais voláteis. As medidas que procuram identificar a tendência persistente da inflação ainda apresentam pressão, principalmente no setor de serviços.
Segundo ele, os indicadores de atividade econômica já mostram sinais mais claros de perda de ritmo, mas o comportamento dos preços continua exigindo cautela.
Mercado prevê nova redução
Com a Selic agora em 14% ao ano, as projeções reunidas pelo Boletim Focus indicam espaço para pelo menos mais um corte de 0,25 ponto percentual até dezembro.
Na pesquisa divulgada na segunda-feira (3), os analistas reduziram de 14% para 13,75% a estimativa para a taxa básica de juros no fim de 2026.
No início do ano, a expectativa era de que a Selic encerrasse dezembro em 12%. A mudança demonstra que o mercado passou a projetar uma flexibilização monetária menor do que a prevista inicialmente.
Entre os fatores que limitam cortes mais intensos estão a inflação ainda pressionada, o mercado de trabalho aquecido e as incertezas relacionadas às contas públicas.
Ao mesmo tempo, alguns indicadores apontam desaceleração da economia. A produção industrial caiu 1,8% em junho e encerrou o segundo trimestre praticamente estável, com crescimento de apenas 0,3%.
Câmbio e investimentos contribuíram
O head de renda fixa da Faz Capital, Eduardo Marocke, avalia que o corte foi favorecido pelo conjunto de dados divulgados desde a última reunião do Copom.
Entre os fatores citados estão o IPCA-15 abaixo das expectativas, sinais de desaceleração mais disseminada da inflação, o comportamento do câmbio, o saldo positivo da balança comercial e os investimentos diretos no país.
Segundo Marocke, a principal atenção agora está no comunicado divulgado pelo Copom, já que o comitê não antecipou os próximos passos e deixou as futuras decisões condicionadas à evolução dos indicadores econômicos.
O especialista considera possível uma pausa no ciclo de cortes em setembro, para que o Banco Central avalie os efeitos acumulados das reduções anteriores.
Entre os riscos para a política monetária estão as expectativas de inflação acima da meta, as incertezas no cenário internacional e os próximos movimentos do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.
Copom ainda terá três reuniões em 2026
Após a decisão desta quarta-feira, o Copom ainda realizará três reuniões em 2026, previstas para setembro, novembro e dezembro.
A principal dúvida do mercado agora é se o Banco Central continuará reduzindo a Selic em setembro ou fará uma pausa para avaliar os efeitos das decisões anteriores.
O comportamento da inflação, da atividade econômica, do mercado de trabalho, do câmbio e das contas públicas deverá ser considerado nas próximas decisões.
O cenário internacional, incluindo as instabilidades geopolíticas e os rumos dos juros nos Estados Unidos, também deverá influenciar a política monetária brasileira.
Mesmo com o início do ciclo de redução, especialistas destacam que a renda fixa continua oferecendo taxas elevadas. Conforme os juros avancem para baixo, investimentos prefixados, títulos atrelados à inflação e ativos de maior risco podem ganhar espaço na avaliação dos investidores.
SBT NEWS
