Uma moradora de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, tornou-se a primeira paciente do Paraná a receber um coração artificial pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Andressa Fátima Reinaldi Banach, de 38 anos, passou pelo procedimento no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após articulação da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa).
A cirurgia foi realizada em 12 de maio com o implante do dispositivo de assistência ventricular HeartMate 3, considerado uma das tecnologias mais avançadas para pacientes com insuficiência cardíaca grave. Após o procedimento, Andressa retornou ao Paraná em uma UTI aérea e seguiu o período de recuperação no Hospital do Rocio, em Campo Largo, recebendo alta no dia 29 de maio.
A paciente sofria de insuficiência cardíaca avançada e não podia ser submetida a um transplante convencional devido a uma incompatibilidade imunológica com praticamente todos os possíveis doadores. Segundo a equipe médica, o implante do coração artificial era a única alternativa capaz de garantir sua sobrevivência.
O secretário estadual da Saúde, César Neves, destacou que o caso representa um marco para a saúde pública paranaense e demonstra a capacidade do SUS de oferecer tratamentos de alta complexidade.
“É uma articulação feita pela Sesa para um tratamento de ponta e totalmente pelo SUS. Nenhum paranaense vai ficar sem alternativa”, afirmou.
A história de Andressa começou a se agravar após a gestação do quinto filho, em 2024. A doença comprometeu severamente sua capacidade física, impedindo-a até mesmo de realizar atividades simples do dia a dia e de cuidar do bebê recém-nascido.
Após meses de tratamento no Hospital Angelina Caron e acompanhamento especializado no Hospital do Rocio, os médicos concluíram que o transplante cardíaco não seria possível devido ao alto índice de sensibilização imunológica da paciente, que apresentava incompatibilidade com cerca de 99% dos potenciais doadores.
Diante desse cenário, as equipes médicas passaram a avaliar alternativas terapêuticas avançadas e optaram pelo implante do HeartMate 3, dispositivo que atua como uma bomba mecânica responsável por auxiliar o bombeamento de sangue realizado pelo ventrículo esquerdo do coração.
O equipamento utiliza tecnologia de levitação magnética, reduzindo o atrito e diminuindo os riscos de formação de coágulos e outras complicações. A energia necessária para seu funcionamento pode ser fornecida por baterias portáteis, permitindo que o paciente mantenha uma rotina mais próxima da normalidade.
Antes da cirurgia, profissionais do Hospital do Rocio passaram por treinamentos específicos para acompanhar a paciente após o implante. Familiares também receberam capacitação para auxiliar nos cuidados diários e no monitoramento do dispositivo.
Agora, a expectativa é que Andressa recupere gradativamente sua autonomia e volte a desempenhar atividades cotidianas ao lado da família.
“Eu tive só essa oportunidade para viver e cuidar dos meus filhos. Não foi apenas uma cirurgia. Vocês devolveram uma mãe para cinco filhos”, declarou emocionada.
O procedimento foi custeado por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), enquanto a Secretaria de Estado da Saúde ficou responsável pela articulação entre os hospitais, transporte especializado e acompanhamento permanente da paciente.
O caso abre caminho para que o Paraná se torne referência nacional nesse tipo de terapia destinada a pacientes com insuficiência cardíaca avançada que não possuem indicação para transplante cardíaco convencional.
Everson Coutinho / Portal Tri
