A Argentina vive nesta quinta-feira (19) mais um capítulo de tensão política e social. Uma greve geral convocada pela principal central sindical do país ocorre justamente no dia em que a Câmara dos Deputados analisa a reforma trabalhista defendida pelo presidente Javier Milei.
A mobilização, organizada pela Confederación General del Trabajo (CGT), é a quarta paralisação nacional desde o início do atual governo. A greve começou nas primeiras horas do dia e deve se estender até a meia-noite, com forte adesão de sindicatos do transporte, do funcionalismo público e do comércio.
Transporte parado e voos cancelados
Os efeitos são imediatos nas grandes cidades: metrôs e trens suspensos, circulação reduzida de táxis e dezenas de voos cancelados. A Aerolíneas Argentinas informou que centenas de operações foram afetadas, impactando milhares de passageiros.
Reflexos também foram sentidos no Brasil. No Aeroporto Internacional de Guarulhos, voos com origem ou destino à Argentina registraram cancelamentos e alterações. A GOL Linhas Aéreas comunicou que clientes impactados poderão remarcar viagens ou solicitar reembolso.
Exportações comprometidas
A paralisação atinge ainda setores estratégicos da economia argentina, como o transporte marítimo e a indústria de processamento de grãos. A interrupção das atividades em áreas ligadas ao escoamento e beneficiamento da soja compromete temporariamente as exportações de óleo e farelo — produtos-chave para a balança comercial do país.
O centro da disputa: a reforma trabalhista
A proposta que será analisada pelos deputados altera pontos centrais da legislação trabalhista argentina. Entre as mudanças previstas estão:
Ampliação da jornada diária de trabalho para até 12 horas
Limitações ao direito de greve
Estabelecimento de teto para indenizações por demissão
Redução de possibilidades de ações judiciais trabalhistas
Flexibilização no período de férias
O governo argumenta que as medidas visam estimular investimentos, reduzir custos para empregadores e incentivar a formalização do trabalho — hoje, mais de 40% dos trabalhadores atuam na informalidade.
Já sindicatos e partidos de oposição afirmam que o texto representa perda de direitos históricos e precarização das relações de trabalho.
A votação na Câmara ocorre sob forte pressão das ruas e pode se tornar um marco decisivo para a agenda econômica de Milei, que enfrenta resistência crescente de setores organizados da sociedade argentina.
Everson Coutinho / Portal Tri
