O Ministério Público do Rio Grande do Sul apresentou, na sexta-feira (30), uma denúncia contra o atacante Ênio por suspeita de manipulação de resultados e lavagem de dinheiro. O jogador pertence ao Juventude e está emprestado à Chapecoense. Segundo o MP-RS, o atleta teria participado de um esquema de apostas envolvendo partidas do Brasileirão 2025.
De acordo com a investigação, denominada Operação Totonero, Ênio teria provocado cartões amarelos de forma deliberada em dois jogos do campeonato, contra Vitória e Fortaleza. O MP sustenta que o atleta ocultou mais de R$ 1,9 milhão obtidos de maneira ilícita por meio de empresas de apostas, utilizando mecanismos de lavagem para disfarçar a origem dos valores.
O processo tramita na Vara Criminal de Caxias do Sul, e as provas reunidas serão compartilhadas com a Polícia Federal para apuração de possíveis ramificações interestaduais do esquema. O Juventude informou que não irá se manifestar sobre o caso neste momento.
Atualmente defendendo a Chapecoense, Ênio disputou três partidas no Campeonato Catarinense em 2026. O contrato do atacante com o clube gaúcho é válido até o fim de 2028, mas a investigação coloca em dúvida a continuidade de sua carreira profissional durante o andamento do processo.
A apuração aponta que o primeiro lance considerado suspeito ocorreu na estreia do Brasileirão de 2025, contra o Vitória, quando o jogador recebeu cartão amarelo por reclamação aos 36 minutos. O episódio gerou alerta imediato em casas de apostas devido ao volume atípico de palpites relacionados ao lance.
O segundo caso foi registrado na oitava rodada, diante do Fortaleza, após Ênio ser advertido por uma falta por trás em Lucas Sasha. Novamente, as operadoras identificaram movimentações financeiras fora do padrão.
Batizada em referência a um escândalo de corrupção no futebol italiano nos anos 1980, a operação já havia cumprido mandados de busca na residência do jogador e em seu armário no Estádio Alfredo Jaconi, em maio do ano passado. Embora as suspeitas tenham surgido ainda em 2025, o atleta seguiu atuando até o fim da temporada.
Em nota, a defesa de Ênio afirma que o procedimento corre sob sigilo e nega a existência de denúncia formal até esta segunda-feira (2). Os advogados alegam que não há imputação, prova produzida ou formação de culpa, sustentando que a divulgação do caso gera interpretações equivocadas e fere o princípio da presunção de inocência.
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