"A defesa de Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Buscariollo recebeu com preocupação a notícia da inclusão de seus constituintes na Difusão Vermelha da Interpol. A medida foi adotada enquanto ainda pendem questões processuais relevantes, entre elas o pedido de revogação da prisão temporária, que permanece produzindo efeitos há aproximadamente onze meses, apesar de sua natureza excepcional e transitória. Além disso, até a presente data, a defesa ainda não teve acesso integral aos autos, inclusive a elementos de investigação já documentados e referentes a atos já encerrados, circunstância que compromete o pleno exercício da ampla defesa. A defesa continuará adotando todas as medidas judiciais cabíveis para assegurar o respeito ao devido processo legal e às garantias constitucionais, abstendo-se de discutir o mérito da investigação pela imprensa."
Robishley, Rafael e Diego viajaram de São José do Rio Preto, em São Paulo, para Icaraíma, no noroeste do Paraná, e se encontraram com Alencar Gonçalves de Souza no dia 4 de agosto.
A câmera de segurança de uma panificadora fez o último registro dos quatro na manhã do dia 5 de agosto.

Segundo a polícia, por volta das 12h do mesmo dia, as vítimas conversaram com as famílias pela última vez.
No dia 6 de agosto, a esposa de Robishley procurou a polícia do estado de São Paulo para registrar o sumiço do marido e dos amigos dele.
Com a investigação aberta, a polícia apurou que havia uma cobrança de dívida de R$ 255 mil, relacionada à venda de uma propriedade rural por Alencar à família Buscariollo. O pagamento foi dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil cada, mas nenhuma parcela foi paga.
A partir disso, Antonio Buscariollo, de 66 anos, e o filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22, passaram a ser considerados como suspeitos de envolvimento no desaparecimento.
A polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa deles, no dia 7 de agosto. Os dois aceitaram ir à delegacia, onde confirmaram que houve um negócio de compra e venda de uma propriedade com um dos irmãos Buscariollo, mas negaram relação direta com a dívida.
Até a última atualização desta reportagem, eles são considerados foragidos.
O carro que as vítimas usaram na viagem a Icaraíma foi encontrado no dia 12 de setembro. O veículo foi localizado pela Polícia Militar Ambiental de Umuarama, enterrado em um bunker, em uma mata fechada na área rural de Icaraíma.

Ele estava coberto por uma lona. Segundo o coronel Hudson Leôncio Teixeira, secretário de Segurança Pública do Paraná na época., a picape das vítimas foi encontrada após o pai de uma delas receber uma carta anônima com a localização do carro. Um informante também ajudou nas investigações.
O carro apresentava vestígios de sangue e marcas de disparos de arma de fogo, além de vidros quebrados e bancos danificados.
As vítimas estavam enterradas em uma vala, que estava coberta por plantas, a uma distância de 650 metros do ponto onde a picape das vítimas havia sido desenterrada.
A identificação inicial das vítimas foi auxiliada pelas roupas que vestiam. Eles também foram identificados pela Polícia Científica por meio de exames de papiloscopia, e foram produzidos laudos necroscópicos.