A Associação Chapecoense de Futebol foi condenada pela Justiça ao pagamento de R$ 450 mil em indenização à família do jornalista Giovani Klein Victoria, uma das 71 vítimas do acidente aéreo ocorrido em 2016, em Medellín, na Colômbia.
A decisão judicial reconheceu a responsabilidade civil objetiva e solidária do clube como contratante da aeronave da companhia aérea LaMia. O acidente completa dez anos em novembro de 2026.
Giovani tinha 28 anos, era natural de Pelotas (RS) e atuava como repórter da RBS TV em Chapecó desde 2014, realizando cobertura esportiva na região Oeste de Santa Catarina.
Segundo a sentença, o juiz apontou culpa grave da Chapecoense por negligência na escolha da empresa aérea, entendendo que o clube assumiu o risco ao optar pela companhia mais barata, mesmo existindo alternativas consideradas mais seguras.
A decisão determina o pagamento de R$ 150 mil por danos morais para cada um dos três autores da ação: a esposa e os pais do jornalista.
Em nota, a Chapecoense informou que não irá comentar o caso “em razão de o processo ainda se encontrar em trâmite judicial”.
Os pedidos de indenização por danos materiais, relacionados a despesas com tratamento psicológico, e de pensão mensal para a companheira da vítima foram negados por falta de comprovação.
Inicialmente, a ação também incluía a companhia aérea LaMia e a seguradora Bisa Seguros, porém o processo foi extinto em relação às empresas após desistência dos autores durante a tramitação.
Na defesa, o clube alegou que o jornalista embarcou gratuitamente na aeronave, na condição de profissional da imprensa, e sustentou que não havia contrato firmado diretamente com a vítima. O argumento, no entanto, foi rejeitado pela Justiça.
O acidente ocorreu em 29 de novembro de 2016, quando o avião que transportava jogadores, dirigentes e jornalistas caiu próximo a Medellín, na Colômbia. A delegação seguia para a partida de ida da final da Copa Sul-Americana.
Em 2018, a Aeronáutica Civil da Colômbia concluiu que a aeronave operava com combustível insuficiente para realizar o trajeto entre Santa Cruz, na Bolívia, e Medellín.
A investigação apontou que o acidente ocorreu por esgotamento de combustível e falhas na gestão de risco da companhia aérea LaMia. Dos 77 ocupantes da aeronave, 71 morreram.
Fonte: G1
