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Projeto de lei reconhece benzimento como manifestação da cultura popular brasileira

Projeto de lei reconhece benzimento como manifestação da cultura popular brasileira

Projeto de lei reconhece benzimento como manifestação da cultura popular brasileira

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou nesta semana um projeto de lei que reconhece o benzimento como uma manifestação da cultura nacional. A proposta valoriza o trabalho de benzedeiras e benzedeiros e os conhecimentos tradicionais utilizados na prática, que incluem orações, uso de ervas medicinais, imposição de mãos e rituais ancestrais para aliviar problemas físicos, emocionais e espirituais.

Pelo texto aprovado, o benzimento passa a ser reconhecido como uma prática de relevante interesse cultural, social e imaterial. Além disso, órgãos públicos das áreas de saúde e cultura poderão promover cursos, seminários e eventos para preservar e transmitir esses conhecimentos às próximas gerações.

O projeto também proíbe a criminalização, a discriminação ou a imposição de restrições ao exercício do benzimento em todo o território nacional. A regra, porém, não se aplica a situações que coloquem em risco a saúde pública ou violem direitos individuais.

Outra previsão é a possibilidade de benzedeiras e benzedeiros solicitarem registro junto aos órgãos municipais, estaduais ou distritais de saúde para formalizar o exercício da atividade.

Alterações no projeto

O texto aprovado é um substitutivo ao Projeto de Lei 426/25, apresentado pelo deputado Giovani Cherini (PL-RS). A versão recebeu recomendação favorável da relatora, deputada Juliana Cardoso (PT-SP), que fez duas alterações no texto aprovado anteriormente pela Comissão de Cultura.

Uma das mudanças retirou a previsão de que benzedeiras e benzedeiros pudessem atuar diretamente nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a relatora, a medida poderia causar conflitos na organização dos serviços e prejudicar a integração das ações de saúde.

Com isso, o benzimento continua sendo reconhecido e valorizado como parte da educação popular em saúde, mas não haverá vínculo formal de trabalho nem previsão de atuação direta desses profissionais nas unidades do SUS.

A outra alteração estabeleceu que cursos, seminários e eventos de valorização do benzimento deverão respeitar a disponibilidade de recursos financeiros e orçamentários dos órgãos responsáveis e ocorrer dentro de programas que já estejam em funcionamento.

Ao defender a proposta, a relatora destacou a importância das benzedeiras e dos benzedeiros, principalmente em comunidades rurais e regiões de difícil acesso, onde muitas vezes são uma das primeiras referências de acolhimento e assistência para a população.

Próximas etapas

O projeto ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados. Como tramita em caráter conclusivo, poderá seguir diretamente para o Senado, caso seja aprovado nessa comissão e não haja recurso para votação no plenário.

Para se tornar lei, a proposta ainda precisa ser aprovada pelo Senado Federal e, posteriormente, seguir para sanção presidencial.

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