Três ex-governadores de Santa Catarina que disputaram as eleições de 2026 não conseguiram se eleger. Esperidião Amin (PP) tentou a reeleição ao Senado, enquanto Carlos Moisés (União Brasil) e Raimundo Colombo (PSD) concorreram a vagas na Câmara dos Deputados. Os resultados foram analisados pelo professor de administração pública Daniel Pinheiro, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).
Segundo o especialista, embora os três tenham experiência à frente do governo estadual, cada candidatura enfrentou circunstâncias diferentes. Ele também apontou a influência do cenário político nacional e a importância da manutenção da visibilidade pública para a continuidade de uma carreira eleitoral.
Carlos Moisés ficou como suplente
Governador entre 2019 e 2023, Carlos Moisés recebeu 33.712 votos na disputa por uma vaga de deputado federal, mas não foi eleito.
Para Daniel Pinheiro, a gestão de Moisés foi marcada por controvérsias, incluindo o caso da compra de respiradores durante a pandemia de Covid-19 e os conflitos políticos que resultaram em pedidos de impeachment.
“Foi um governo conturbado. Isso se reflete na eleição”, avaliou o professor.
O especialista também destacou que Moisés perdeu espaço na política catarinense após deixar o governo, em 2023. Na avaliação dele, o período fora de cargos públicos e dos principais debates políticos contribuiu para limitar a presença do ex-governador junto ao eleitorado.
Nas eleições de 2022, Moisés tentou a reeleição, mas não chegou ao segundo turno, disputado por Jorginho Mello (PL), eleito governador, e Décio Lima (PT).
Esperidião Amin não conseguiu a reeleição ao Senado
Ex-governador por dois mandatos, Esperidião Amin disputou novamente uma vaga no Senado, mas terminou a eleição na terceira colocação, com 1.233.034 votos, equivalentes a 15,31% do total.
As duas vagas de Santa Catarina ficaram com Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do PL.
Segundo Pinheiro, a definição da candidatura de Amin ocorreu em meio a mudanças nas articulações políticas. O professor afirmou que havia expectativa de apoio do PL ao senador, mas o partido acabou priorizando a candidatura de Carlos Bolsonaro no estado.
O especialista também apontou a estratégia eleitoral do PL como um dos fatores que influenciaram a disputa. Na avaliação dele, a campanha procurou associar os votos dos dois candidatos do partido ao Senado.
Amin governou Santa Catarina de 1983 a 1987 e de 1999 a 2003. Ele foi eleito senador em 2018, mas não conseguiu renovar o mandato em 2026.
A esposa do senador, Angela Amin (PP), também disputou uma vaga na Câmara dos Deputados e ficou na lista de suplentes. Ela foi prefeita de Florianópolis por dois mandatos, entre 1997 e 2004.
Raimundo Colombo também ficou como suplente
Raimundo Colombo, que governou Santa Catarina entre 2011 e 2018, recebeu 54.545 votos na disputa por uma vaga de deputado federal, mas não foi eleito.
Para Daniel Pinheiro, o resultado dá continuidade a uma sequência de derrotas eleitorais do ex-governador. Colombo concorreu ao Senado em 2018 e novamente em 2022, mas não conseguiu se eleger em nenhuma das duas disputas.
Na avaliação do professor, o afastamento de cargos públicos e a perda de espaço nas articulações políticas podem ter contribuído para a redução da força eleitoral do ex-governador.
Pinheiro também levantou a possibilidade de que as estratégias adotadas nas últimas campanhas e as mudanças nos grupos políticos aos quais Colombo esteve associado tenham influenciado os resultados.
Visibilidade política é apontada como fator importante
Ao analisar os três casos, o professor Daniel Pinheiro destacou que a experiência em cargos executivos não garante, por si só, a eleição para outras funções públicas.
Segundo ele, a permanência no debate político, a construção de alianças e a capacidade de manter uma base de apoio são fatores relevantes para quem busca continuar na vida pública.
Os resultados de 2026 mostram trajetórias distintas entre os ex-governadores, mas com um ponto em comum: nenhum dos três conquistou o cargo que disputou nesta eleição.
Fonte: G1
