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Chapecó não aparece nos grandes rankings imobiliários do Brasil mas devia aparecer

Crescimento populacional, expansão industrial e demanda permanente por moradia impulsionam vendas e aluguéis na maior cidade do Oeste de Santa Catarina

Chapecó não aparece nos grandes rankings imobiliários do Brasil mas devia aparecer
Foto: Divulgação

Quando o assunto é mercado imobiliário aquecido, a conversa começa pelo litoral catarinense. Balneário Camboriú com metro quadrado de R$ 15 mil. Itapema subindo 30% em 12 meses. Florianópolis no top 5 das cidades mais valorizadas do Brasil. E Chapecó, a maior cidade do Oeste de Santa Catarina, fica de fora dessas listas como se o que acontece a 500 quilômetros do mar não tivesse importância.

Acontece. E quem está no mercado imobiliário do Oeste catarinense já sabe disso há algum tempo.

A cidade que cresceu sem avisar

Chapecó tem hoje 289 mil habitantes estimados para 2026, segundo o IBGE. São quase 35 mil a mais do que o Censo de 2022 registrou. Uma cidade que cresce nesse ritmo no interior do Sul do Brasil está adicionando moradores que precisam de onde viver, o que naturalmente pressiona tanto o mercado de compra quanto o de locação.

Esse crescimento não vem do nada. Chapecó é a sede de duas das maiores empresas de proteína animal do mundo: BRF, que reúne as marcas Sadia e Perdigão, e Aurora Alimentos, cooperativa que é referência nacional no setor. Junto com elas vieram fornecedores, prestadores de serviço, gestores transferidos de outras regiões e uma cadeia de negócios que se multiplicou nos últimos anos. Entre 2015 e 2024, a cidade registrou crescimento de 420% no número de CNPJs ativos, segundo o Sebrae-SC. Esse número não é de uma cidade estagnada. É de uma cidade em movimento.

O que o mercado de aluguel está mostrando

O metro quadrado de apartamentos em Chapecó chegou a R$ 7.375 em setembro de 2026, com o bairro Maria Goretti liderando em R$ 9.692 e o Bela Vista como entrada mais acessível em R$ 4.789, segundo levantamento com base em 1.976 anúncios em 30 bairros. O aluguel mediano fica em R$ 35 por metro quadrado ao mês, o que coloca um apartamento de 60 metros quadrados em torno de R$ 2.100 mensais de aluguel, antes de condomínio.

Quem procura apartamento em Chapecó para alugar hoje encontra um mercado com 693 imóveis disponíveis nas principais plataformas, com aluguel mediano de R$ 3.933 mensais considerando toda a faixa de oferta, e valores a partir de R$ 570 mensais para as opções mais simples. A amplitude é real: há quarto de kitnet para estudante e apartamento de alto padrão para executivo transferido, com toda a escala intermediária entre os dois.

O Viva Real registra preço médio de R$ 2.967 mensais para apartamentos de aluguel na cidade, com variação entre R$ 1.705 e R$ 6.892 dependendo do bairro e do padrão. São números que colocam Chapecó bem abaixo de Florianópolis, Joinville e Balneário Camboriú, mas com qualidade de vida que a Serasa classifica como a mais acessível entre as grandes cidades de Santa Catarina, com custo de vida individual de R$ 3.556 mensais.

O canteiro de obras que não para

Em abril de 2026, o NDMais publicou que Chapecó havia se transformado em um canteiro de obras, com o mercado imobiliário da cidade consolidando a capital do Oeste como um dos principais polos de crescimento fora do litoral catarinense. O custo unitário básico da construção civil chegou a R$ 3.028 por metro quadrado no segmento residencial, com alta controlada de 4,15% em 12 meses, segundo o Sinduscon Oeste.

Alexandre Fiorini, presidente do Sinduscon Oeste, deixou claro que o crescimento não é pontual. Ele acompanha o desenvolvimento estrutural da cidade, que ganha novos moradores e novos empreendimentos de forma consistente. Novos projetos residenciais surgem especialmente nos bairros com melhor infraestrutura, como Jardim Itália, São Cristóvão e Maria Goretti, que concentram as maiores cotações de metro quadrado da cidade.

O que explica o aluguel aquecido

Três perfis de inquilino sustentam a demanda por locação em Chapecó de forma permanente. O primeiro é o trabalhador das indústrias do polo de alimentos, que chega transferido ou contratado de outros estados e precisa de imóvel antes de decidir se vai comprar. O segundo é o estudante da UFFS, Unochapecó e demais instituições de ensino da cidade, que geram demanda constante especialmente por apartamentos de um e dois quartos nos bairros próximos aos campi. O terceiro é o profissional de serviços que chegou nos últimos anos junto com a expansão econômica e que ainda não decidiu se vai se fixar definitivamente na cidade.

Esses três perfis juntos criam uma demanda que não tem sazonalidade. Diferente de cidades litorâneas onde o aluguel por temporada inflaciona os números no verão e despenca no inverno, Chapecó tem uma demanda residencial estável ao longo de todo o ano, o que mantém o mercado aquecido independente do mês.

Por que não aparece nos rankings

A resposta mais honesta é que os rankings de mercado imobiliário são feitos com dados dos portais nacionais, que têm cobertura muito maior nas capitais e nas cidades litorâneas do Sul. Chapecó tem 1.976 anúncios de apartamentos para venda e algumas centenas para locação nos portais nacionais, volume que fica abaixo do radar dos relatórios que movem a conversa imobiliária no Brasil.

Mas o que acontece no Oeste catarinense não precisa aparecer no FipeZAP para ser real. O crescimento populacional acelerado, a base industrial consolidada, o custo de vida competitivo e um mercado de locação com demanda estrutural são fundamentos que qualquer analista imobiliário reconheceria como saudáveis se prestasse atenção nessa direção do mapa.

Chapecó não aparece nos grandes rankings. Mas quem está procurando apartamento para alugar na cidade em 2026 já sabe que o mercado não espera por reconhecimento para funcionar.

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