Um homem suspeito de se passar pelo técnico do Grêmio, Luís Castro, para pedir dinheiro a jogadores foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira (2), em Itaperuna, no Rio de Janeiro.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito faria parte de um grupo envolvido na criação de perfis falsos em aplicativos de mensagens para abordar atletas e aplicar golpes. Ele é investigado por estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade.
A investigação começou depois que o homem entrou em contato pelo WhatsApp com quatro jogadores, utilizando uma foto de Luís Castro. Inicialmente, ele orientava os atletas a chegarem mais cedo ao centro de treinamento para uma suposta conversa.
Com um dos jogadores, o golpista manteve contato durante vários dias. Nas mensagens, fazia perguntas sobre a rotina, família e desempenho nos treinos, além de elogiar o atleta. Em determinado momento, pediu que a conversa fosse mantida em sigilo.
Golpista pediu R$ 22,5 mil para suposto projeto social
Após conquistar a confiança da vítima, o suspeito afirmou que precisava de ajuda para um projeto social no Rio de Janeiro. Segundo a investigação, ele pediu dinheiro para a compra de 300 cestas básicas, ao custo de R$ 75 cada, totalizando R$ 22,5 mil.
No dia 6 de maio, o homem enviou uma chave PIX aleatória e afirmou que ela pertencia a uma suposta responsável pela instituição. A primeira tentativa de transferência não foi concluída porque o valor ultrapassava o limite diário da conta do jogador.
O pagamento foi reagendado para a manhã seguinte e, desta vez, os R$ 22,5 mil foram transferidos. Depois, o suspeito encaminhou uma suposta confirmação de que as cestas básicas haviam sido recebidas.
Ainda no mesmo dia, ele tentou aplicar um segundo golpe. O homem afirmou que outro jogador, que estaria fora do Brasil, pretendia doar 600 cestas básicas, no valor de R$ 50 mil, e pediu que a vítima adiantasse o dinheiro, com a promessa de posterior ressarcimento.
A segunda transferência não foi realizada porque também ultrapassava o limite bancário disponível.
Outros jogadores também foram abordados
A vítima que perdeu R$ 22,5 mil foi identificada como o atacante colombiano José Enamorado, do Grêmio.
O zagueiro Walter Kannemann também recebeu mensagens do suspeito, mas desconfiou da abordagem e procurou a polícia. O ex-jogador Andrés D’Alessandro igualmente foi contatado, porém não realizou nenhum pagamento.
As investigações apontaram ainda que o grupo teria abordado jogadores e personalidades ligados a clubes de outros estados, uma equipe de futebol da Europa e um artista de projeção nacional.
Operação Falso 9
A prisão ocorreu em Itaperuna durante a Operação Falso 9, deflagrada pela 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Além do mandado de prisão preventiva, os policiais cumpriram dois mandados de busca e apreensão no município fluminense.
A investigação continua com o objetivo de identificar outros integrantes do grupo e descobrir quantas pessoas podem ter sido vítimas do esquema.
