O Tribunal do Júri da Comarca de Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná, condenou na quinta-feira (13) Anderson José Pereira, de 32 anos, a 35 anos de reclusão pela morte de sua namorada, Hellen Divansil da Silva. O julgamento é considerado histórico por ser o primeiro realizado na comarca sob as novas regras da legislação que trata do crime de feminicídio.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o crime ocorreu em 4 de abril de 2025, em uma residência localizada na Rua São Francisco, no bairro São Miguel. Na ocasião, o acusado teria efetuado um disparo de arma de fogo que atingiu o rosto da vítima.
Hellen sofreu ferimentos graves e foi socorrida, sendo encaminhada ao Hospital Regional de Francisco Beltrão. Ela permaneceu internada, mas morreu no dia 11 de abril de 2025.
O Ministério Público ofereceu denúncia contra Anderson José Pereira por feminicídio. A acusação foi recebida pelo Poder Judiciário e o homem passou a responder ao processo como réu.
Primeiro julgamento após mudança na lei
O julgamento desta quinta-feira foi o primeiro processo de feminicídio levado ao Tribunal do Júri de Francisco Beltrão após a entrada em vigor da Lei nº 14.994/2024.
A legislação alterou o tratamento jurídico dado ao feminicídio, que passou a ser considerado crime autônomo, com pena prevista de 20 a 40 anos de reclusão. A mudança teve como objetivo reforçar o enfrentamento à violência contra a mulher e reconhecer de forma específica a gravidade dos crimes motivados pela condição de gênero.
A sessão teve início às 9h e foi encerrada por volta das 21h, sob a presidência da juíza de Direito Janaína Monique Zanelatto Albino Sinhorini, responsável por proferir a sentença.
Pelo Ministério Público, atuou a promotora de Justiça Silvia Scaetta Nunes Donatti. A defesa do réu foi realizada pelos advogados Rogério Silvio Peres, Giancarlo Pessatto, Poliana Haag e Gisele Arali Leite Learth Saboia.
Réu manifesta intenção de recorrer
Após o julgamento, Anderson manifestou interesse em recorrer da decisão. Ele permanecia preso desde a época dos fatos e, após o encerramento da sessão do Tribunal do Júri, foi encaminhado para a Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão.
A condenação estabelece pena de 35 anos de reclusão pelo feminicídio de Hellen Divansil da Silva.
Portal de Beltrão, com PPNews
