Uma mulher de 41 anos foi presa em Abatiá, no Norte do Paraná, suspeita de tentar encomendar o assassinato de uma funcionária da Casa Lar após perder a guarda dos três filhos. De acordo com a Polícia Civil, ela culpava a servidora pela decisão da Justiça.
O plano foi descoberto pelo próprio filho da suspeita, de 16 anos, que está acolhido em uma instituição. Durante uma visita aos pais, o adolescente ouviu a mãe falando sobre a intenção de matar a funcionária, alertou a vítima e denunciou o caso à polícia.
As investigações encontraram conversas em que a mulher afirmava querer "apagar uma infeliz do mapa". Nas mensagens, ela também dizia que a funcionária teria "tomado" seus filhos e "feito a cabeça" do promotor responsável pelo caso.
Em nota, o Ministério Público do Paraná informou que acompanha a situação da família desde pelo menos 2022. Segundo o órgão, diversas medidas foram adotadas para tentar manter as crianças com os pais, mas a retirada da guarda foi necessária diante de um grave quadro de negligência e situação de risco.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, as crianças sofriam maus-tratos, não recebiam alimentação adequada, estavam fora da escola e viviam em situação de abandono intelectual.
Os nomes dos envolvidos não foram divulgados para preservar a identidade do adolescente e da funcionária ameaçada, que não sofreu ferimentos.
A mulher foi presa preventivamente na última sexta-feira (10). O marido também é investigado por possível participação no crime, mas responde em liberdade.
Como o plano foi descoberto
Mesmo acolhido, o adolescente continuava visitando os pais. Em uma dessas visitas, ouviu a mãe falando sobre a contratação de alguém para matar a funcionária da Casa Lar.
Ao verificar o celular da mãe, encontrou mensagens em que ela informava o local onde a vítima estacionava o carro e negociava o pagamento de R$ 3 mil pelo assassinato. Em uma das conversas, escreveu: "Vamos deixar para o dia sete, é o dia em que eu recebo."
Investigação identificou intermediário
Quando a denúncia foi feita, as mensagens já haviam sido apagadas do celular da suspeita. No entanto, a Polícia Civil conseguiu identificar o intermediário da negociação, que entregou os prints das conversas aos investigadores.
Segundo o delegado, o homem afirmou que manteve o diálogo para confirmar se a mulher realmente levaria o plano adiante e pretendia comunicar a polícia. Ele não foi preso.
O inquérito está na fase final. A mulher deverá responder por tentativa de homicídio qualificado por promessa de recompensa e motivo torpe. O caso será encaminhado ao Ministério Público do Paraná.
G1
