O torcedor Felipe Rodrigues vendeu o veículo próprio e projetou o risco de desemprego para participar da Seleção Brasileira na Copa . O profissional da indústria de vidros conseguiu 30 dias de férias no período do início do Mundial, mas a permanência nos Estados Unidos exigirá cerca de 40 dias caso o Brasil alcance a decisão.
O paulista de 41 anos perderá o prazo de reapresentação no trabalho se a equipe avançar até a final do torneio esportivo. Em virtude do impasse trabalhista, o automóvel comercializado funcionará como uma reserva financeira para arcar com as despesas domésticas nos meses seguintes ao retorno.
— Posso voltar com o hexa, mas também desempregado. Ou sem o hexa e desempregado também. Aí é pior a dor no coração. Vai do coração, do sentimento, mas não vou sofrer de véspera. Por isso que fiz essa loucura, com tudo pago, tudo em paz — disse ao portal ' ge '.
O especialista em turismo estruturou uma operação logística para reduzir os custos totais da jornada aérea e terrestre. O plano inclui a compra de passagens por milhas, o compartilhamento de habitações e a localização por meio de caronas.
"Tenho amigos que pagaram R$ 8 mil nas passagens de ida e volta. Com milhas, gastei R$ 1.500 para ir e R$ 1.500 para voltar. E a gente começa a economizar assim. Desde o início eu sabia que seria uma Copa muito cara. Fiz esse planejamento antes de começar as loucuras".
O aficionado por futebol prevê um gasto aproximado de R$ 23 mil caso permaneça no exterior até o encerramento do evento. A estimativa diária de alimentação ficou estipulada em 50 dólares com itens básicos de supermercado. "Nós, torcedores, não somos turistas. Pensamos em quanto será para não passarmos fome (risos). Se isso por 50 dólares por dia, então está bom. Comer pão, presunto e queijo".
O integrante do Movimento Verde e Amarelo obteve acesso a uma cota de ingressos populares para as partidas da competição. A iniciativa decorre de um acordo firmado entre a torcida organizada e a Confederação Brasileira de Futebol.
"Depois do visto e de conseguir as férias, fui para a próxima etapa, que era arrumar os ingressos. Esse que era o problema. Cotei e comecei a ver que estavam acima de R$ 2 mil ou R$ 3 mil. O ingresso da final estava a partir de R$ 25 mil, fora de cogitação. Pensei: "já era, está fora da minha realidade".
O comprador evitou os preços do mercado tradicional, que registrou bilhetes para o confronto decisivo a partir de R$ 25 mil. O orçamento final da viagem detalha R$ 4 mil em voos, R$ 3,5 mil em hospedagem e R$ 3 mil em entradas.
"Fizemos esse trabalho com a CBF para fazer a parceria com o MVA, e foi o que, com esforço muito, fizemos esse elo para conseguir a cota promocional, com valores populares, para nós, torcedores, que acompanhamos de fato a Seleção. Já era caro, mas 60 dólares caberia no bolso. Foi isso que nos ajudou a garantir toda a Copa. O valor que gastaríamos em um jogo, vamos assistir à Copa toda se o Brasil chegar à final".
O destino inicial do viajante será a cidade de Nova York, em um trajeto de 24 horas composto por três conexões aéreas. Em solo americano, o corintiano dividirá um único apartamento com outros 17 indivíduos para diluir as despesas habitacionais.
A torcedora Daniela Quaresma também garantiu presença no campeonato com despesas pagas antecipadamente para quatro pessoas da família. A comitiva familiar inclui o marido e dois filhos em um roteiro de férias integrado por atividades futebolísticas e parques temáticos, ela também detalhada ao 'ge'.
A veterana em Copas mantém a tradição de acompanhar o torneio presencialmente desde a edição de 2014. O grupo incluiu visitas aos complexos da Disney e da Universal, além de espetáculos na Broadway, dentro do cronograma nos Estados Unidos.
"Queríamos muito levá-los (os filhos), era um sonho nosso de família. Nos programamos para isso, mas se eu te falar que programamos financeiramente, economizamos (não)... Fomos viver a vida ali, mas sabendo que a gente ia ter esse gasto, o dobro, mas que era um sonho nosso de realizar nós quatro indo para a Copa", disse seu marido, que terá a companhia do Rômulo e dos filhos Marcela e Pedro.
Um carioca de 47 anos converteu R$ 50 mil em moeda norte-americana para subsidiar exclusivamente o consumo cotidiano durante o período. Os custos fixos com moradia temporária somam R$ 10.400 por 30 dias em Nova York e diárias de R$ 500 em Houston.
"A gente fez uma conta (sobre quanto levar para o dia a dia) em dinheiro, já transformamos em dólar, e estamos levando R$ 50 mil, que daria 10 mil dólares, mais ou menos, para gastar lá. O resto já está tudo pago. Já pagamos o Parque Disney, os ingressos, as estadias, os passeios em Nova York", explicou.
O balanço financeiro da viagem familiar aponta um investimento total que alcança a cifra de R$ 120.500. Os bilhetes para todos os jogos da Seleção Brasileira custaram R$ 11 mil, enquanto as passagens aéreas consumiram R$ 12 mil.
