A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar o cancelamento dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL), a pedido da Polícia Federal (PF), provocou críticas entre integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros da própria Corte.
Segundo a reportagem, interlocutores ouvidos reservadamente avaliaram que a medida poderia intensificar o embate político e fortalecer o discurso de Flávio Bolsonaro de que estaria sendo alvo de perseguição política.
Entre as críticas, ministros consideraram que as autoridades poderiam ter aguardado alguns dias antes de adotar a medida. Na avaliação desses interlocutores, uma eventual saída do senador do país poderia reforçar questionamentos sobre sua conduta perante a Justiça.
Um ministro do STF, ouvido sob condição de anonimato, afirmou que não teria tomado a mesma decisão e mencionou diferenças de tratamento em relação a outros casos envolvendo familiares de políticos.
Outro integrante do governo Lula classificou a medida como um erro político, argumentando que a decisão poderia oferecer ao senador argumentos para se apresentar como vítima de perseguição.
A repercussão ocorre em meio à disputa política entre aliados do presidente Lula e integrantes do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Saída do país
De acordo com o relato apresentado na reportagem, Flávio Bolsonaro deixou o Brasil acompanhado da família, com destino aos Estados Unidos. O voo teria partido da Argentina, feito uma breve escala no Equador e seguido para Miami.
As informações sobre o trajeto e o horário previsto de chegada foram atribuídas ao serviço de monitoramento aéreo FlightAware.
As críticas à decisão de Moraes foram atribuídas a interlocutores ouvidos reservadamente. Elas representam avaliações políticas sobre a condução do caso e não constituem, por si só, uma conclusão sobre a legalidade da medida judicial.
Fonte: G1
