A confirmação do primeiro óbito por Febre do Nilo Ocidental na história de Santa Catarina, em uma paciente de 77 anos, moradora de Imbituba, somada a registros em municípios como Caçador, acende um alerta para a doença no Estado.
O episódio representa um marco e exige preparo da rede de saúde, vigilância e conscientização da população. A doença deixou de ser apenas uma possibilidade e passou a integrar a realidade epidemiológica catarinense.
Diferentemente da dengue, zika e chikungunya, transmitidas principalmente pelo Aedes aegypti, a Febre do Nilo Ocidental tem como principal vetor o Culex quinquefasciatus, conhecido popularmente como pernilongo ou muriçoca, de hábitos noturnos.
De onde surgiu a Febre do Nilo Ocidental?
A doença tem origem no continente africano e foi identificada em 1937, em Uganda. O vírus foi isolado pela primeira vez em Entebbe, a partir do sangue de uma mulher de 37 anos que apresentava febre leve.
O nome faz referência à região de West Nile, localizada às margens do Rio Nilo.
Primeiro caso no Brasil foi confirmado em 2014
Embora já houvesse evidências da circulação do vírus em animais desde o início dos anos 2010, o primeiro caso humano no Brasil foi confirmado em 2014, no Piauí.
O paciente era um trabalhador rural que desenvolveu a forma neuroinvasiva da doença, com encefalite e paralisias musculares.
Panorama no Brasil
Cerca de 13 estados brasileiros já registraram circulação do vírus em aves, equídeos ou humanos ao longo da última década.
A infecção ocorre de forma esporádica e cerca de 80% dos infectados não apresentam sintomas.
Em 2026, quatro casos já foram confirmados
Santa Catarina registrou dois casos humanos e uma morte:
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Santa Catarina: uma mulher de 77 anos, moradora de Imbituba, morreu após desenvolver complicações neurológicas graves. O segundo caso ocorreu em Caçador, em um homem de 56 anos que apresentou sintomas neuroinvasivos, precisou de internação e recebeu alta.
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São Paulo: foram confirmados dois casos. Um deles foi registrado em uma mulher de 34 anos, em Ribeirão Preto, com histórico recente de viagem à Região Amazônica. O outro envolveu uma jovem de 18 anos, moradora de São José do Rio Preto.
De onde vem a doença?
O vírus circula principalmente entre aves silvestres e migratórias, que funcionam como reservatórios da infecção.
A transmissão ocorre quando um mosquito Culex pica uma ave infectada e, posteriormente, transmite o vírus ao picar uma pessoa ou um equídeo.
Humanos e cavalos são considerados hospedeiros terminais. A quantidade de vírus presente no sangue não é suficiente para infectar novos mosquitos, portanto não há transmissão direta entre pessoas pelo ar, toque ou convívio social.
Quais são os sintomas?
Cerca de 80% dos infectados não apresentam sintomas.
Nos demais casos, podem surgir febre alta de início súbito, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulares, prostração, dor atrás dos olhos, náuseas e manchas avermelhadas na pele.
A principal preocupação é a forma neuroinvasiva, que pode provocar encefalite, meningite ou paralisia flácida aguda.
Idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido estão entre os grupos mais vulneráveis a complicações graves.
Mudanças climáticas podem favorecer a expansão
A expansão geográfica da doença está relacionada a alterações ambientais e climáticas. Temperaturas mais elevadas podem acelerar o ciclo de desenvolvimento dos mosquitos e reduzir o tempo necessário para que o vírus se torne infectante no vetor.
Secas, queimadas e mudanças nos habitats também podem alterar as rotas de aves migratórias, aproximando esses animais de áreas urbanas e periurbanas.
Prevenção exige atenção
O poder público e os órgãos de vigilância ambiental precisam reforçar o monitoramento de aves silvestres mortas e de casos neurológicos inexplicados em equídeos e humanos.
A população também deve adotar medidas de proteção, como o uso de repelente, principalmente no final da tarde e à noite, instalação de telas em portas e janelas, utilização de mosquiteiros e eliminação de água parada em quintais e áreas com vegetação.
A confirmação do primeiro óbito em Santa Catarina reforça a necessidade de atenção, prevenção e vigilância diante de uma doença que já faz parte da realidade epidemiológica do Estado.
NSC
