O fenômeno El Niño está se fortalecendo rapidamente no Oceano Pacífico e já apresenta temperaturas da superfície do mar inéditas para o mês de julho, segundo dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Cientistas alertam que o evento pode se tornar o mais intenso desde o início dos registros modernos, ampliando o risco de recordes históricos de calor em todo o planeta nos próximos meses.
Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, o El Niño influencia o clima em diversas regiões do mundo. Desta vez, porém, especialistas destacam que o fenômeno ocorre em um cenário de aquecimento global provocado pelas mudanças climáticas, o que pode potencializar seus efeitos.
De acordo com o pesquisador Zeke Hausfather, da Berkeley Earth, a intensidade observada até agora supera a registrada em grandes eventos anteriores, como o histórico El Niño de 1997-1998.
"Não é apenas muito provável que seja o evento mais forte desde que os registros confiáveis começaram. Ele pode acabar sendo o mais intenso por uma margem impressionante", afirmou o cientista.
Temperaturas recordes no Pacífico
Relatório divulgado pela Berkeley Earth aponta que o aquecimento das águas na principal região monitorada do El Niño evolui em ritmo superior ao observado durante o episódio de 1997-1998.
Os dados da NOAA mostram que a temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial nunca esteve tão elevada para o mês de julho desde o início das medições modernas.
Segundo Hausfather, embora ainda não seja possível prever todos os impactos dos próximos 12 a 18 meses, os modelos climáticos indicam que o fenômeno deverá elevar significativamente a temperatura média global.
Combinação preocupa especialistas
Para o cientista climático Daniel Swain, da Universidade da Califórnia, o planeta enfrenta uma situação inédita.
Segundo ele, a combinação entre um El Niño extremamente forte e o aquecimento global causado pelas atividades humanas poderá ampliar a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos.
Swain lembra que episódios anteriores do El Niño elevaram temporariamente a temperatura média global, mas destaca que agora esse efeito se soma ao aquecimento já registrado em todo o planeta.
"Um El Niño potencialmente recorde, somado a temperaturas globais já recordes, é algo muito significativo. As chances de batermos um novo recorde de temperatura média global, seja este ano ou no próximo, são altas", afirmou.
Possíveis impactos
Entre os principais efeitos esperados estão:
- aumento das temperaturas médias globais;
- maior ocorrência de ondas de calor;
- períodos de seca em algumas regiões;
- chuvas intensas e eventos extremos em outras áreas;
- alterações no regime de precipitação em diversos continentes.
Por outro lado, especialistas apontam que o fortalecimento do El Niño tende a reduzir a atividade de furacões no Oceano Atlântico durante a temporada de 2026, devido ao aumento do cisalhamento dos ventos, condição que dificulta a formação e o fortalecimento desses sistemas.
Os cientistas seguem monitorando a evolução do fenômeno, considerada decisiva para confirmar se este será, de fato, o El Niño mais intenso já registrado e quais serão seus impactos sobre o clima mundial nos próximos meses.
ND+
