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Rã gigante invasora que 'muge como boi' e põe em risco fauna em SC mobiliza pesquisadores

Novas possíveis ocorrências da rã-touro em Florianópolis colocam pesquisadores em atenção. Espécie está na categoria de maior alerta na lista de invasoras de Santa Catarina.

Rã gigante invasora que 'muge como boi' e põe em risco fauna em SC mobiliza pesquisadores
Foto: Morgana Fernandes/NSC TV

A prefeitura de Florianópolis informou, nesta segunda-feira (13), que monitora dois novos possíveis avistamentos da rã-touro, espécie exótica invasora que ameaça a fauna local e que passou a ser acompanhada pela Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) após ser identificada no bairro Ratones, no Norte da capital.

O anfíbio tem chamado a atenção de moradores por produzir um som parecido com o mugido de um boi (ouça acima áudio de um dos registros na cidade).

 A espécie está na categoria de maior alerta (Categoria 1) na lista de invasoras de Santa Catarina, classificação que orienta o manejo da espécie no estado. Os animais passarão por análises, incluindo testagem para ranavírus e quitridiomicose.

A rã-touro (Aquarana catesbeiana) foi vista pela primeira vez em Florianópolis em outubro de 2025. O último registro oficial do anfíbio foi em março deste ano, conforme a Floram.

Agora, o Departamento de Unidades de Conservação (DEPUC) recebeu dois novos registros de possíveis avistamentos, que são analisados.

Rã produz som que parece um mugido

O anfíbio chama atenção dos moradores por produzir um som parecido com o mugido de um boi.

Segundo o chefe do departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Paulo Cristhiano Anchieta Garcia, o barulho é produzido pelo macho durante o processo de atração da fêmea para reprodução.

"É justamente esse som que pode ajudar pesquisadores a localizar a espécie invasora em Florianópolis. A rã nativa da América do Norte chegou ao Brasil na década de 1930 para produção de carne de cativeiro. Mas o que era para ficar nos criadouros acabou escapando para a natureza. E hoje ela é considerada uma das espécies invasoras mais preocupantes para a biodiversidade", destaca o pesquisador.

Conhecido pelo tamanho e por ser utilizado na aquicultura, o anfíbio acabou se espalhando por vários lugares no mundo por escape e soltura e se tornou "uma das piores espécies invasoras do mundo", conforme o Laboratório de Ecologia de Anfíbios e Répteis.

Impactos à biodiversidade e riscos sanitários

 

Embora não represente nenhum risco para os seres humanos, a rã-touro é uma ameaça severa à fauna local. Por serem animais de grande porte — um adulto pode chegar a 1,5 quilos e medir quase 20 centímetros —, elas são competidoras e predadoras vorazes.

Os animais se alimentam de insetos e de outros vertebrados pequenos, como peixes, répteis, aves e pequenos mamíferos, o que pode afetar cadeias produtivas como a própria criação de peixes.

Além disso, a espécie é muito resistente e atua como transmissora de doenças.

"Eles são espécies muito resistentes. Então, já foram identificados tanto um fungo, que é chamado de fungo quitrídeo, que afeta exclusivamente outros anfíbios, e mais recentemente se descobriu um vírus, que é chamado de ranavírus, que também pode afetar anfíbios e peixes", destaca Garcia.

Florianópolis pede ajuda da população

A Floram informou que tem focado em atividades de educação ambiental, em parceria com a UFSC, para ajudar a mapear a espécie na cidade.

O objetivo é envolver escolas, moradores e comunidades no mapeamento participativo e incentivar a população a relatar locais de ocorrência ou onde o som característico da rã for ouvido.

A prefeitura orienta, nesses casos, a comunicar a ocorrência à Floram pelo e-mail fdepuc.floram@gmail.com ou pelo WhatsApp (48) 3237-5660. O manejo não deve ser realizado por conta própria.

G1

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