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Brasileiro se alista no Exército da Ucrânia após perder R$ 340 mil em apostas on-line

Ex-motorista de aplicativo perdeu economias e ingressou na Legião Internacional em março

Brasileiro se alista no Exército da Ucrânia após perder R$ 340 mil em apostas on-line
Foto: Reprodução / Rede Sociais

O brasileiro Thiago Morais da Silva Moita, de 35 anos, alistou-se no Exército da Ucrânia após perder mais de R$ 340 mil em apostas on-line. O ex-morador de Iguape, no litoral de São Paulo, ingressou na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia em março.

O combatente tomou a decisão após uma psicóloga indicar que ele apresentava um quadro de ludopatia, o vício em jogos de azar. O diagnóstico motivou a mudança drástica para o cenário de guerra no Leste Europeu.

"Eu estava me destruindo. Pensei: 'Eu preciso sair daqui, preciso mudar'. O meu pai me falou: Você já apostou tudo que você tem, agora vai apostar a sua vida? [...] Eu precisava sair daquele ambiente para mudar o meu raciocínio, sair daquela prisão mental", desabafou em entrevista ao portal 'g1'.

Natural do Rio de Janeiro, o voluntário acumulava perdas financeiras expressivas antes do alistamento, chegando a perder R$ 75 mil em um único dia. No município paulista, onde residia desde 2022, Moita trabalhava com a venda de eletrônicos e como motorista de aplicativo. Todo o faturamento obtido nessas atividades era direcionado para as plataformas de apostas eletrônicas.

"Cheguei a mandar meu pai confiscar o meu telefone para não jogar", contou Moita.

A rotina militar do atirador na Europa envolve treinamentos diários de 12 horas para o manuseio de armamentos pesados, minas e explosivos. O cotidiano das tropas é compartilhado por ele nas redes sociais por meio de um codinome que também utiliza em sua farda oficial.

"Aqui ninguém sabe o nome de ninguém, só pela 'chapa'. Ninguém aqui me conhece como Thiago”, disse.

O integrante da legião estrangeira cumpre missões operacionais que duram de uma semana a 40 dias, dividindo o batalhão com outros 13 cidadãos brasileiros. Embora não integre a linha de frente dos grupos de assalto, ele relata a convivência constante com ataques aéreos de drones e mísseis russos.

"Era um pesadelo. Menos de uma semana depois que cheguei lá, caiu um míssil na minha casa. Passou um caça e jogou três bombas lá", disse.

Após uma transferência recente de setor, o abrigo anterior do fluminense foi alvo de um bombardeio que resultou em dezenas de mortes, incluindo a de um compatriota.

"Se eu não tivesse sido transferido a tempo, estaria morto agora", relatou ele, destacando a perda de um colega brasileiro.

O militar tem retorno previsto ao território nacional entre os meses de novembro e dezembro para um período de férias. Ao final do recesso, ele decidirá se cumprirá os três anos de contrato com as forças ucranianas ou se optará pela rescisão do vínculo.

“Não sei o que vai acontecer daqui para frente”, afirmou.

O soldado recebe remuneração financeira pelas atividades de combate exercidas na região, mas reforça os perigos associados à permanência na zona de conflito armado.

“As pessoas têm que ficar sabendo que você tem que ficar aqui no mínimo seis meses. Três colegas meus fugiram [foram desertores]. E eles eram os melhores”, finalizou.

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