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Cidade do Paraná completa mais de 13 anos sem registrar homicídios e se torna referência em segurança

Com pouco mais de 3 mil habitantes, Rio Bom lidera o ranking estadual de municípios há mais tempo sem homicídios ou feminicídios

Cidade do Paraná completa mais de 13 anos sem registrar homicídios e se torna referência em segurança
Foto: Alex Magosso/RPC

Em um cenário em que a violência ainda preocupa diversas regiões do país, um pequeno município do Norte do Paraná chama a atenção pelos índices de segurança. Com pouco mais de 3 mil habitantes, Rio Bom está há mais de 13 anos sem registrar um homicídio ou feminicídio, tornando-se a cidade paranaense com o maior período sem crimes contra a vida.

Os dados são do Ministério da Justiça e da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (SESP-PR).

Mesmo sem possuir delegacia de polícia ou Guarda Civil Municipal, o município mantém baixos índices de criminalidade. O policiamento preventivo é realizado por um destacamento da Polícia Militar do Paraná, enquanto as investigações ficam sob responsabilidade da 17ª Subdivisão Policial, sediada em Apucarana, que atende Rio Bom e outros 25 municípios da região.

Outras cidades também apresentam bons índices

Além de Rio Bom, o município vizinho de Novo Itacolomi também ultrapassou uma década sem registrar homicídios ou feminicídios, com o último caso ocorrido em 2013.

Já Campo Bonito, na região Oeste, está há nove anos sem mortes violentas, enquanto Verê, no Sudoeste, permanece há oito anos sem ocorrências desse tipo.

Outras 29 cidades do Paraná acumulam entre cinco e sete anos sem homicídios ou feminicídios. De acordo com o Ministério da Justiça, entre janeiro e maio de 2026, 246 dos 399 municípios paranaenses não registraram nenhum crime contra a vida.

Comunidade unida é apontada como principal diferencial

Localizada no Vale do Ivaí, a cerca de 350 quilômetros de Curitiba, Rio Bom mantém uma rotina tranquila. O movimento concentra-se na Avenida Rio Grande do Sul, principal via comercial da cidade. Nas ruas predominam casas com muros baixos, poucas câmeras de segurança e crianças brincando ao ar livre.

Moradores afirmam que episódios de violência são raros e que o sentimento de segurança faz parte do cotidiano.

A comerciante Rosângela Erli Rech Mazzutti, proprietária de um mercado há 36 anos no município, diz que ficou surpresa ao saber que a cidade já ultrapassou uma década sem homicídios.

"Isso mostra que a nossa população é saudável. Com tantos problemas que vemos em todos os lugares, a nossa cidade está tão bem. A gente fica muito contente."

Segundo ela, praticamente todos os moradores se conhecem, o que fortalece a vigilância natural da comunidade.

"Cidade pequena tem disso, todo mundo conhece todo mundo. Quando chega alguém diferente, a gente já fica de olho, procura saber quem é, até mesmo por medida de segurança. Todo mundo se protege, se comunica. Agora, com as redes sociais, ficou ainda mais fácil."

A comerciante conta que a confiança entre os moradores é tão grande que grande parte das compras ainda é anotada na tradicional caderneta, prática conhecida como venda fiada.

Educação também fortalece a cultura da paz

A professora Ilza Venturini da Silva, nascida em Rio Bom e há 25 anos atuando na educação do município, define a cidade como um "grande lar".

Segundo ela, a tranquilidade permanece praticamente a mesma desde sua infância.

"Desde criança a gente ia e voltava da escola sozinho. Hoje ainda continua sendo uma cidade calma para morar. Tanto que muitas pessoas escolhem viver aqui justamente por ser uma cidade mais tranquila."

Ela afirma que a escola também exerce papel importante na prevenção da violência, promovendo diariamente valores como respeito, diálogo e convivência.

"A gente precisa trabalhar constantemente esses valores. Muitas vezes as crianças dão sinais de que precisam de ajuda, e o professor precisa estar atento."

Participação da população ajuda a prevenir crimes

Para o delegado Marcus Felipe da Rocha Rodrigues, responsável pela 17ª Subdivisão Policial, um dos fatores que explicam os baixos índices de violência é a proximidade entre moradores e forças de segurança.

Segundo ele, em cidades pequenas, a população costuma comunicar rapidamente situações de conflito que podem evoluir para crimes mais graves.

"O vínculo comunitário é fundamental. Essa integração permite que a polícia atue preventivamente antes que determinadas situações resultem em uma ocorrência letal", explica.

O ex-policial militar Geraldo Lúcio Teixeira, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) de Rio Bom, afirma que a confiança construída ao longo dos anos faz com que moradores procurem orientação sempre que percebem algo suspeito.

Além de receber denúncias, o Conseg promove palestras em escolas e campanhas preventivas voltadas à segurança pública.

Lembranças de um passado diferente

Apesar da tranquilidade atual, Geraldo Teixeira lembra com emoção de um homicídio ocorrido na cidade durante a década de 1990, quando um amigo policial militar foi assassinado.

"Era meu aniversário e eu saí da cidade. Quando voltei, encontrei ele morto. Era como um irmão. Apesar de tantos anos, essa lembrança nunca vai embora."

Combate ao tráfico ajuda a manter baixos índices

Outro fator apontado pelo delegado Marcus Rodrigues é o combate permanente ao tráfico de drogas.

Segundo ele, embora o tráfico exista em praticamente todos os municípios, Rio Bom e Novo Itacolomi não enfrentam disputas violentas entre organizações criminosas, realidade observada em centros urbanos maiores.

"O objetivo é impedir que o tráfico se torne violento, ameaçando moradores ou disputando território."

O delegado destaca ainda que a alta taxa de esclarecimento dos homicídios registrados na região também contribui para inibir novos crimes, fortalecendo a sensação de segurança da população.

Paraná registra queda histórica na violência

Para o secretário de Segurança Pública do Paraná, coronel Saulo de Tarso Sanson, o estado vive atualmente o melhor momento de sua história nos indicadores de segurança.

Dados do Ministério da Justiça apontam que, entre janeiro e maio de 2026, o Paraná registrou taxa de 10,26 homicídios e feminicídios por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional, que ficou em 13,85.

Segundo Sanson, operações como Cidade Segura e Lâmina Zero, além do reforço no combate ao tráfico de drogas, armas ilegais e lavagem de dinheiro, têm sido determinantes para reduzir a criminalidade tanto em grandes centros quanto em cidades do interior.

A meta do Governo do Paraná é reduzir ainda mais esses índices, especialmente nos municípios com mais de 100 mil habitantes, mantendo o estado entre os mais seguros do país.

G1 

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