Eles eram apenas duas crianças correndo pelas estradas de chão da Linha Santa Catarina, no interior de Vargeão, no Oeste catarinense, quando o destino começou a escrever uma história que atravessaria gerações. Clementina Berté, hoje com 85 anos, tinha apenas sete quando conheceu Fortunato Berté, de 86, então com oito anos. Vizinhos na mesma comunidade, os dois cresceram compartilhando o cotidiano do interior e, sem imaginar, também o futuro.
Para Clementina, os olhos azuis do companheiro chamaram a atenção desde o início, despertando o interesse dela. O mesmo diz Fortunato, que relembra do rosto bonito da esposa com quem decidiu construir laços.
Anos depois, já jovens, o sentimento ganhou espaço. Clementina tinha 18 anos e Fortunato 20 quando começaram a namorar. O romance durou cerca de um ano antes do casamento, seguindo um costume comum da época. Foi na mesma Linha Santa Catarina que eles construíram a vida e permanecem até hoje, vivendo um ao lado do outro, se apoiando em todos os momentos.
Não demorou muito para que os filhos chegassem ao mundo, e com eles também os desafios. O trabalho braçal e as dificuldades financeiras fizeram parte da rotina da família, mas nunca foram maiores do que o companheirismo do casal.
Ao longo de mais de 65 anos de casamento, o amor apenas se fortaleceu. Para Clementina, a maior riqueza construída ao lado do marido é a família.
"É uma família trabalhadora, companheira, que sempre permanece unida", diz, orgulhosa.
Do amor dos dois nasceram sete filhos, que deram continuidade à história com 15 netos e 14 bisnetos. Somando os familiares que chegaram por meio dos casamentos, a família já reúne 58 pessoas, que fazem questão de manter vivas as tradições e os encontros familiares.
Um dos encontros tradicionais é a noite do pijama promovida pelos filhos, que se reúnem para passar a noite na casa dos pais, dormindo no quarto que era deles na infância.
A união da família, segundo Fortunato, sempre foi um pedido especial feito em oração. Ele conta que, todas as noites, olhava para um quadro do Sagrado Coração de Jesus e Maria, presente do padre que celebrou o casamento, pendurado no canto do quarto.
"Eu deitava na cama, olhava para o quadro e pedia a graça de ter uma família unida. E recebi essa graça", comentou, hoje agradecendo porque a promessa se cumpriu.
Clementina também guarda uma lembrança de fé que a acompanha desde o início da vida a dois.
"Eu nunca abandonei o meu quadro do Sagrado Coração de Jesus e Maria. Até me mandaram tirar dali, mas um dia ainda vou pendurar de novo. Está guardado, mas eu não esqueço dele", diz Clementina. Era ali que ela rezava e fazia seus pedidos.
Depois de mais de meio século compartilhando alegrias, desafios e conquistas, o casal também deixa uma mensagem para quem sonha em construir uma história duradoura.
Para Clementina, o segredo é simples: é importnate manter o amor, a paciência e se dar bem um com o outro, tendo respeito em primeiro lugar. Fortunato completa a receita de uma vida feliz a dois com poucas palavras: "Sempre se respeitar."
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