O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desativou o último criadouro de macacos-prego em funcionamento no Brasil após constatar graves maus-tratos. O estabelecimento ficava em Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina.
A operação foi concluída nesta semana e divulgada na sexta-feira (10). No local, os animais foram encontrados em condições precárias, com sinais de desnutrição, estresse crônico e sem acesso à luz solar. Além disso, filhotes eram separados precocemente das mães.
Segundo o Ibama, o criadouro funcionava com foco na reprodução e comercialização de animais silvestres, tratando-os como mercadorias. Durante mais de uma década, o local operou amparado por uma liminar judicial.
Ao todo, 26 macacos-prego foram resgatados nesta etapa da operação. Anteriormente, outros 167 animais já haviam sido retirados do local, incluindo aves e primatas, e encaminhados para centros de triagem em diferentes regiões do país.
Para a ação mais recente, foi necessário mandado judicial, já que o proprietário dificultava o acesso das equipes de fiscalização.
De acordo com uma fiscal envolvida na operação, o manejo dos animais era feito com extrema violência. “Era na base do terror, com jatos de água de alta pressão. Eles apresentavam medo extremo de pessoas e comportamento típico de estresse severo”, relatou.
Entre as irregularidades encontradas estavam gaiolas pequenas, que impediam movimentos básicos, ausência de estímulos naturais, privação de luz solar e alimentação inadequada.
Após o resgate, os macacos foram encaminhados para uma instituição especializada em reabilitação de fauna, onde passam a receber cuidados adequados, alimentação balanceada e convivência em ambientes mais amplos, com vegetação e estrutura para escalada.
A expectativa é que, com o tempo, os animais consigam recuperar comportamentos naturais, como a convivência em grupo — essencial para a espécie.
O Ibama reforça que a domesticação de primatas não é recomendada, devido aos riscos ao bem-estar dos animais e também à saúde humana. A operação contou com apoio da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Militar Ambiental e de órgãos ambientais estaduais.
