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Caminhoneiros preparam greve nacional para os ‘próximos dias’ em meio à alta do diesel

Motoristas autônomos e celetistas articulam paralisação em todo o país e cobram medidas mais efetivas do governo

Caminhoneiros preparam greve nacional para os ‘próximos dias’ em meio à alta do diesel
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Caminhoneiros de diferentes regiões do país articulam uma paralisação nacional que pode começar nos próximos dias, pressionados pela alta do diesel. Com adesão crescente entre autônomos e motoristas celetistas, o movimento deve avançar caso o governo não apresente medidas para conter os custos da categoria.

Ao R7, o presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou que a decisão vem sendo construída em assembleias e reflete a dificuldade crescente de manter a atividade diante dos custos. “Fizemos assembleia no Porto de Santos com a categoria. A maioria deliberou que, se não parar agora, vamos cruzar os braços. A conta não fecha”, disse.

De acordo com ele, o movimento tem caráter nacional e reúne adesão ampla tanto entre os profissionais autônomos quanto celetistas. “É uma manifestação nacional. Já temos o posicionamento do porto de Itajaí, de Santos, todas as regiões do Brasil. Eu diria que 95% do setor é favorável”, afirmou.

A principal queixa da categoria é o impacto de fatores internacionais sobre o preço dos combustíveis no Brasil. “Soltaram uma bomba lá [no Irã] e já afetou as bombas daqui. A gente vê que não vai parar de subir o preço do diesel.”

Segundo Landim, a categoria tenta negociar melhorias desde 2018, mas avalia que as medidas adotadas até agora não tiveram efeito prático. “Precisa, de fato, ter algo concreto para a categoria, senão vai parar todo mundo. O que o governo fez não teve relevância. Não tem condições de manter o trabalho”, reiterou.

Na última semana, representantes dos caminhoneiros se reuniram com integrantes do governo na Casa Civil para discutir a Medida Provisória que trata da zeragem das alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel. Ainda assim, a avaliação é de que as iniciativas não resolvem o problema dos custos no setor.

“De fato, vai parar se não tiver sinalização do governo, por não ter condições de andar”, reforçou.

A orientação inicial das lideranças é que a paralisação ocorra sem bloqueios em rodovias, para evitar penalidades. “Tenho dado a orientação de que não parem em cima de rodovia, porque existe multa muito alta. Pare na sua casa, não saia para trabalhar, pare no posto de combustível. Mas, se precisar subir para a rodovia, a gente sobe”, afirmou.

A entidade presidida por Landim reúne cerca de 35 mil caminhoneiros. Estimativas do setor indicam que o Brasil possui aproximadamente 790 mil caminhoneiros autônomos e cerca de 750 mil motoristas celetistas, o que amplia o potencial de impacto de uma eventual paralisação.

Caso o movimento se concretize, a adesão conjunta dessas duas frentes pode afetar o transporte de cargas e o abastecimento em diferentes regiões do país.

Apoio à paralisação

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística declarou apoio à paralisação articulada por caminhoneiros autônomos, especialmente a partir do Porto de Santos (SP), em reação à alta frequente no preço do diesel.

Segundo a entidade, a mobilização reflete a insatisfação da categoria com o aumento dos custos e retoma pautas históricas já defendidas desde a greve nacional de 2018.

Entre as principais reivindicações, estão o cumprimento do piso mínimo do frete, o retorno da aposentadoria especial após 25 anos de contribuição, a retomada da distribuição de combustíveis pela Petrobras e a aplicação de punições a empresas que descumprirem a tabela de frete.

“Os caminhoneiros estão no limite. A implementação dessas medidas é fundamental para garantir a sobrevivência da categoria”, informou a categoria em nota.

 
R7
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