Depois do bom momento vivido pelos comércios de fronteira em Misiones nos últimos anos, desde o final de 2023 até agora o setor atravessa uma fase difícil. Isso ocorre devido à crise econômica enfrentada pelo país, às variações cambiais, ao aumento no preço dos produtos e à perda do poder aquisitivo da população, fatores que fazem o consumidor buscar alternativas.
Para os moradores das regiões de fronteira isso se torna ainda mais fácil, já que podem atravessar para o outro lado e comprar produtos mais baratos. Em Bernardo de Irigoyen essa realidade é ainda mais evidente, pois a cidade compartilha uma fronteira seca com o Brasil. Ali, apenas uma calçada marca o limite que, mais do que separar, acaba unindo dois países.
Apesar da existência de um posto de Migrações e Aduana, muitos moradores de Irigoyen e também visitantes atravessam a pé para as cidades brasileiras de Dionísio Cerqueira, no estado de Santa Catarina, ou até Barracão, no Paraná.
Fluxo em apenas um sentido
Conforme vem sendo informado pela imprensa regional, o cenário nas cidades de fronteira de Misiones mudou radicalmente nos últimos dois anos. Já não se veem mais as longas filas de brasileiros cruzando para a Argentina para abastecer veículos, fazer compras nos comércios locais ou aproveitar a gastronomia da chamada “terra colorada”.
Segundo a Câmara de Comércio de Irigoyen, até mesmo setores que tradicionalmente atraíam compradores estrangeiros, como as vinotecas, já não registram o mesmo movimento. Antes, os visitantes estrangeiros vinham passear, abasteciam seus veículos, passavam pelo supermercado e por outros estabelecimentos.
Hoje, com os preços mais altos, se apenas o vinho compensa, o consumidor estrangeiro procura outras formas de adquirir o produto, como encomendas ou envios, e praticamente não cruza mais para Irigoyen para fazer compras.
Essa situação fez com que muitos comércios da cidade fechassem as portas. Além disso, diversos administradores de lojas já não conseguem mais manter o pagamento de aluguéis, o que também resultou na perda de vários postos de trabalho.
Atualmente, as assimetrias econômicas favorecem os comércios brasileiros, especialmente em Bernardo de Irigoyen, onde se observa um intenso fluxo diário de argentinos em direção ao Brasil.
Cesta básica
Consumidores argentinos atravessam a fronteira em busca de produtos essenciais da cesta básica, como arroz, açúcar, óleo, embutidos, laticínios, carnes, frutas e verduras.
Também são procurados itens como roupas, calçados, produtos de bazar, materiais de construção e produtos sanitários.
A isso se somam as estratégias dos comerciantes brasileiros, que oferecem promoções e descontos atrativos, principalmente em datas específicas, além de se destacarem pelo atendimento cordial e próximo dos clientes.
Movimento diário
Já é comum ver diariamente um intenso movimento na fronteira, com veículos e cidadãos argentinos circulando pelas ruas e comércios de Dionísio Cerqueira e Barracão.
Nos fins de semana e feriados, o fluxo é ainda maior. Além dos moradores da região fronteiriça, chegam também excursões de compras vindas de diferentes pontos da província de Misiones.
Assim, é possível observar vans e ônibus lotados, além do aumento no número de passageiros nas linhas interurbanas e de média distância que chegam até a fronteira seca. Todos os dias, os pontos de ônibus ficam repletos de pessoas e mercadorias.
Por Fabián Acosta / El Territorio e Crónicas del Norte
