Durante décadas, os orelhões fizeram parte do cotidiano dos brasileiros. O telefone público começou a ser instalado no Brasil no início da década de 1970 e se tornou um dos principais meios de comunicação da população. O modelo mais conhecido, em formato de concha, foi criado em 1972 pela arquiteta Chu Ming Silveira e rapidamente passou a integrar a paisagem urbana das cidades.
Em um período em que poucas residências possuíam telefone, os orelhões eram essenciais. Por meio deles, a população entrava em contato com familiares, solicitava ajuda em emergências e resolvia assuntos importantes. As ligações eram feitas inicialmente com fichas e, mais tarde, com cartões telefônicos, que marcaram gerações.
Com o avanço da tecnologia e a popularização dos telefones celulares, principalmente a partir dos anos 2000, o uso dos orelhões caiu drasticamente. Muitos equipamentos ficaram abandonados, sem manutenção e acabaram se tornando obsoletos.
Em 2022, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou oficialmente a desativação dos telefones públicos. Já em 2026, ocorre a retirada definitiva dos orelhões das ruas, encerrando um dos capítulos mais marcantes da história da comunicação no Brasil.
Hoje, o orelhão deixa de ser um meio de contato e passa a representar um símbolo de uma época em que se comunicar exigia tempo, paciência e, muitas vezes, enfrentar filas.
Anderson Sommer / Portal Tri
