Santa Catarina registrou 4.317 casos de desaparecimentos durante todo o ano de 2025. Os dados, obtidos com exclusividade pelo g1 pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, revelam que, por dia, foram em média 12 desaparecimentos no ano passado.
Com esses números, Santa Catarina ficou na sexta posição no ranking nacional entre os estados que mais registraram desaparecimentos em 2025. Quando se trata dos desaparecimentos a cada 100 mil habitantes, o Estado catarinense ficou na oitava posição, com 52,73 casos.
O levantamento também faz um recorte em relação às vítimas desses desaparecimentos. Em 2025, foram 18,6 desaparecimentos de crianças e adolescentes a cada 100 mil habitantes em Santa Catarina, segundo os dados da Sinesp.
No Estado, alguns desaparecimentos se tornaram emblemáticos, como o do oceanógrafo americano Charles Gorri, que desapareceu no dia 7 de outubro de 2025 em Florianópolis. Ele foi visto pela última vez na região do Rio Tavares. Charles é natural de Detroit, nos Estados Unidos, mas foi radicado no Brasil desde a infância.
O educador ambiental e guia de trilhas é conhecido no Sul da Ilha, fala português fluente e é querido entre os moradores da região. O caso é investigado pela Delegacia de Polícia de Pessoas Desaparecidas (DPPD).
Maior número de desaparecimentos no Brasil desde 2015
De acordo com os dados, 84.760 pessoas desapareceram em todo o Brasil em 2015. O número é o maior desde o início da série histórica, que iniciou em 2015. Foram, em média, 232 casos de desaparecimentos por dia no país. Em 2024, foram 81.406 casos.
Em relação a taxa a cada 100 mil habitantes, o Brasil teve, independentemente da idade, 39 casos. São Paulo concentra o maior número de casos, com 20.564 desaparecidos e 44,59 casos a cada 100 mil habitantes. Em seguida, o estado de Minas Gerais aparece, com 9.139 casos e uma taxa de 42,72 a cada 100 mil habitantes. Em terceiro lugar, está o estado do Rio Grande do Sul, com 9.139 casos e uma taxa de 67,75 a cada 100 mil habitantes.
Veja o ranking
- São Paulo: 20.546 casos (taxa por 100 mil habitantes: 44,59 desaparecidos)
- Minas Gerais: 9.139 casos (taxa: 42,72 desaparecidos)
- Rio Grande do Sul: 7.611 casos (taxa: 67,75 desaparecidos)
- Paraná: 6.455 casos (taxa: 54,29 desaparecidos)
- Rio de Janeiro: 6.331 casos (taxa: 36,76 desaparecidos)
- Santa Catarina: 4.317 casos (taxa: 52,73 desaparecidos)
- Bahia: 3,929 casos (taxa: 26,42 desaparecidos)
- Goiás: 3.631 casos (taxa: 48,91 desaparecidos)
- Pernambuco: 2.745 casos (taxa: 28,71 desaparecidos)
- Ceará: 2.578 casos (taxa: 27,81 desaparecidos)
- Espírito Santo: 2.421 casos (taxa: 58,66 desaparecidos)
- Distrito Federal: 2.235 casos (taxa: 74,58 desaparecidos)
- Mato Grosso: 2.112 casos (taxa: 54,24 desaparecidos)
- Pará: 1.238 casos (taxa: 14,21 desaparecidos)
- Maranhão: 1.182 casos (taxa: 16,84 desaparecidos)
- Rondônia: 1.018 casos (taxa: 58,11 desaparecidos)
- Amazonas: 982 casos (taxa: 22,72 desaparecidos)
- Paraíba: 929 casos (taxa: 22,31 desaparecidos)
- Rio Grande do Norte: 775 casos (taxa: 22,43 desaparecidos)
- Piauí: 744 casos (taxa: 21,98 desaparecidos)
- Alagoas: 729 casos (taxa: 22,63 desaparecidos)
- Sergipe: 728 casos (taxa: 31,66 desaparecidos)
- Tocantins: 609 casos (taxa: 38,38 desaparecidos)
- Roraima: 577 casos (taxa: 78,1 desaparecidos)
- Acre: 413 casos (taxa: 46,7 desaparecidos)
- Amapá: 408 casos (taxa: 50,59 desaparecidos)
- Mato Grosso do Sul: 378 casos (taxa: 12,92 desaparecidos)
Desaparecimentos de crianças e adolescentes
Em todo o Brasil, foram registrados 23.919 casos de desaparecimento de crianças e adolescentes em 2025. Com isso, a média ficou em 66 casos por dia no país. A maior parte das vítimas eram meninas, com 14.658 desaparecidas (61%), enquanto foram registrados 9.159 desaparecimentos de meninos (38%). Em 102 casos, o sexo não foi informado.
De acordo com o painel Pessoas Desaparecidas e Localizadas, com dados das secretarias estaduais de segurança pública e do Distrito Federal, as maiores taxas de crianças e adolescentes desaparecidos por 100 mil habitantes foram registrados em Roraima, com 40 desaparecidos por 100 mil habitantes, seguido por Rio Grande do Sul, 28 desaparecidos por 100 mil habitantes, e Amapá, 24 desaparecidos por 100 mil habitantes.