Um dos julgamentos mais aguardados de Santa Catarina chegou ao fim no final da tarde dessa sexta-feira, 29, com a condenação de 20 anos e 24 dias de prisão para a mulher que matou o marido, Valdemir, de 52 anos, em novembro de 2022, na pequena cidade de Lacerdópolis.
O caso ganhou repercussão em todo o estado pela frieza do crime: após dopar e asfixiar o marido, ela escondeu o corpo no freezer da própria casa, foi confraternizar com amigas e ainda registrou o desaparecimento, chegando a participar das buscas.
A sessão do Tribunal do Júri aconteceu na Câmara de Vereadores de Capinzal, sede da comarca, e durou dois dias. O julgamento começou na manhã de quinta-feira, 28, foi interrompido à noite quando a ré passou mal, e só terminou na sexta-feira, às 20h35, sob clima de tensão e choro de alívio de familiares e amigos que aguardavam por justiça.
Os jurados acataram integralmente a acusação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que sustentou os crimes de homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. “Hoje o Ministério Público de Santa Catarina é a voz da vítima. Estamos aqui para mostrar a verdade e impedir que o direito das mulheres seja instrumentalizado para justificar um ato tão brutal”, destacou o Promotor de Justiça Diego Bertoldi.
Durante o julgamento, os Promotores apresentaram provas contundentes, entre elas o freezer, cordas e o pano usados no crime. Também mostraram áudios enviados pela ré após a morte de Valdemir, em que tentava criar um álibi enquanto mobilizava policiais, bombeiros e vizinhos nas buscas pelo homem que já estava em sua casa.
A defesa tentou a absolvição com a tese de violência doméstica, mas apresentou apenas um boletim de ocorrência de 2019, retirado dias depois pela própria ré. “Nós lidamos diariamente com casos de violência doméstica, mas este homicídio não foi resultado disso”, reforçou o Promotor Rafael Baltazar Gomes dos Santos.
Relembre o caso
O crime aconteceu em 14 de novembro de 2022. O corpo de Valdemir só foi descoberto cinco dias depois, no freezer da casa, escondido entre mantimentos. O município, com pouco mais de 2.200 habitantes e sem registro de homicídios há 30 anos, ficou em choque.
Na época, a mulher chegou a publicar um vídeo confessando o assassinato e alegando sofrer violência doméstica, mas investigações e relatos de pessoas próximas apontaram outra realidade: o casal tinha convivência harmoniosa.
Conforme denúncia do MPSC, ela dopou o marido com medicamentos de uso rotineiro, amarrou pés e mãos e usou uma sacola plástica para asfixiá-lo. Depois, escondeu o corpo e comunicou falso desaparecimento, configurando também ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
Entre as testemunhas, um amigo de Valdemir contou que estranhou o volume no freezer quando a mulher abriu a tampa para oferecer água aos bombeiros durante as buscas. Já o policial que encontrou o corpo se emocionou ao lembrar que procuraram dias por alguém que estava, desde o início, dentro de casa.
Valdemir vivia com a ré há 23 anos, tinha oficializado a união há apenas 40 dias e deixou mãe, filhos, irmãos e netos.
Com informações de Marcelo dos Santos / Rádio Catarinense FM