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Polícia Federal desmente matéria da Veja que liga Vorcaro a Lula

Corporação afirma que banqueiro “não prestou depoimento” com o teor relatado; grupo jurídico denuncia articulação com Flávio Bolsonaro para vazar HD com acusações contra o governo

Polícia Federal desmente matéria da Veja que liga Vorcaro a Lula
Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total; Reprodução

A Polícia Federal publicou uma nota, nesta sexta-feira (9), desmentindo a reportagem da revista Veja que divulgou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, pagou R$ 30 milhões para o documentário sobre o candidato à reeleição Lula (PT) e ao Instituto Lula.

De acordo com a nota, Daniel Vorcaro “não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito”. Na reportagem, a Veja afirma que teve acesso a áudios e documentos com relatos do banqueiro.

A Polícia Federal também afirmou que as propostas de delação premiada apresentadas ao órgão pela defesa de Vorcaro foram rejeitadas por “não atendimento aos requisitos legais”, e que isso já é de conhecimento da defesa.

O órgão destacou, ainda, que recebeu uma notícia-crime com pedido de providências urgentes sobre o que foi descrito na reportagem. Segundo a Polícia Federal, “o expediente foi encaminhado à área técnica para adoção das providências de polícia judiciária”.

Quem é Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro é o empresário e ex-controlador do Banco Master. Ele assumiu a instituição financeira em 2018 e comandou uma expansão agressiva no mercado, baseada na oferta de CDBs com rendimentos atrativos, antes de o banco ser liquidado.

O ex-banqueiro é apontado pela Polícia Federal como o principal líder de um esquema de fraudes no sistema financeiro. As investigações apuram um rombo que pode ultrapassar a casa dos bilhões, envolvendo operações suspeitas e desvio de recursos.

Entre as acusações mais graves, Vorcaro é investigado por estruturar um esquema de corrupção para cooptar servidores do Banco Central. O objetivo seria obter informações privilegiadas de dentro do órgão regulador para evitar fiscalizações e intervenções em seu banco.

As apurações da PF também revelaram a existência de um núcleo de intimidação. Mensagens interceptadas indicam que o empresário utilizava agentes corrompidos para acessar dados restritos e chegou a planejar uma agressão física contra um jornalista que noticiava o caso.

Após a deflagração da operação, Daniel Vorcaro teve a prisão preventiva decretada e foi detido pela Polícia Federal. A Justiça também determinou o bloqueio bilionário de bens ligados a ele e ao grupo para tentar garantir o ressarcimento dos prejuízos causados.

O que diz a reportagem da revista Veja?

A reportagem da revista Veja afirmou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria destinado R$ 30 milhões em dinheiro vivo para um documentário sobre o candidato à Presidência Lula (PT) e ao Instituto Lula, em um suposto esquema de propinas de 10% com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Em nota enviada ao NSC Total, o ministro Alexandre Padilha afirmou que não agiu “em defesa dos interesses de Daniel Vorcaro e do Banco Master”. Padilha chamou o depoimento de mentiroso e sem comprovação.

Segundo os áudios e documentos que a Veja diz ter tido acesso, o valor seria destinado à produção de um documentário sobre Lula fora do Brasil, dirigido por Oliver Stone, além de uma quantia que não foi revelada paga diretamente para o Instituto Lula. A Procuradoria-Geral da República já havia tido acesso ao caso, mas não levou adiante por afirmar que não havia provas. A defesa de Vorcaro, no entanto, afirmou que teria mensagens de WhatsApp, registros das pessoas que retiraram o dinheiro vivo e a relação de lugares e rotas usadas por operadores nas entregas do dinheiro.

Conforme a reportagem, o esquema contava com a exigência de uma taxa de 10% de tudo que o banco captasse com os fundos de previdência de servidores da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios, o que poderia resultar em R$ 1 bilhão para o PT e, em contrapartida, R$ 9 bilhões.

À Veja, Lula afirmou que “jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome”. Vaccari e Padilha também afirmaram que não possuem qualquer relação com Vorcaro. Os outros nomes citados não se manifestaram.

Em maio, os produtores e diretores do documentário sobre Lula divulgaram nota negando vínculos financeiros com o banqueiro e com o Banco Master.

Investigação da PF sobre suposto falso depoimento

A notícia-crime citada pela PF na nota diz respeito a uma solicitação do grupo jurídico Prerrogativas, que já havia dito que solicitaria à Polícia Federal a abertura de um inquérito sobre este depoimento de Vorcaro. Segundo o grupo, o depoimento pode ter sido “estimulado”, conforme a Folha de S.Paulo.

Em troca, conforme o grupo, Vorcaro teria recebido como contrapartida a oferta de ser libertado no início de 2027 com uso de tornozeleira eletrônica, enquanto seu pai, Henrique Vorcaro, sairia da prisão imediatamente.

O que diz o ministro da Saúde

Merece repúdio que um suposto depoimento e um áudio com indícios de fraude e manipulação de um criminoso confesso seja usado para tumultuar o processo eleitoral para que seu cúmplice, o candidato Flávio Bolsonaro, seja favorecido na falsa tentativa de legitimar R$ 65 milhões destinados supostamente ao filme em homenagem a um ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado e responsável por centenas de milhares de mortes na pandemia.

Em razão disso, pedi que a Advocacia-Geral da União (AGU) ingresse com as providências judiciais cabíveis para exigir direito de resposta às mentiras apresentadas. Também será solicitada perícia sobre a veracidade, autenticidade e integridade do áudio veiculado, uma vez que a Procuradoria-Geral da República já declarou, publicamente, que não foi realizado nem registrado depoimento oral de Vorcaro sobre esse tema justamente por conta da rejeição da delação por sua completa ausência de provas.

Em nenhuma hipótese e sob nenhum pretexto, jamais agi ou autorizei que outros agissem em defesa dos interesses de Daniel Vorcaro e do Banco Master. O depoimento mentiroso do banqueiro é tão desprovido de qualquer comprovação que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República atestaram que os relatos trazem apenas informações desencontradas, sem provas e sem confissão de crime. Além de mentiroso, o enredo contado sequer tem sentido cronológico. A peça representa uma tentativa tosca de confundir a sociedade, com o objetivo descarado de minimizar a gravidade do repasse de recursos para a família Bolsonaro, a pretexto de financiar o filme Dark Horse. Assim como tenta reproduzir para o presidente Lula o esquema operado por Flávio Bolsonaro: o financiamento supostamente direcionado a um filme e a um instituto.

Enquanto fui ministro de Relações Institucionais, fazia parte de minhas atribuições institucionais fazer interlocução com todos os setores da sociedade, inclusive do mercado financeiro e do setor produtivo. E o fiz sempre em absoluto respeito à lei e em defesa do povo brasileiro, como é a orientação do presidente Lula. Prova desse compromisso é que foi no nosso governo que Vorcaro foi preso e o Banco Master, liquidado. Essa postura de rigor faz cair por terra qualquer acusação falaciosa de que tenha havido envolvimento e repasses de recursos para beneficiar a mim, ao Instituto Lula e ao filme do diretor Oliver Stone, que já rechaçou publicamente ter recebido qualquer tipo de verba de Daniel Vorcaro.

Portal Tri com NSC 

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