A Justiça de Santa Catarina determinou a soltura de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, que passou cerca de 14 meses vivendo com uma família de Joinville após se apresentar como uma criança.
A decisão foi tomada nesta quinta-feira (10) pela Vara de Execuções Penais de Joinville, que concedeu a progressão de regime e expediu o alvará de soltura. Amanda estava presa desde 2 de junho e deixou o Presídio Feminino de Joinville. O restante da pena será cumprido fora da unidade prisional, com tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.
Amanda foi condenada em 20 de agosto pela 1ª Vara Criminal de Joinville a 1 ano, 10 meses e 28 dias de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
Como a farsa foi descoberta
Segundo as informações do caso, Amanda inicialmente teria se apresentado como uma jovem de 18 anos que procurava emprego em uma padaria. Posteriormente, passou a afirmar que tinha 11 anos e que sofria abusos cometidos pelo padrasto.
Sensibilizada pela história, uma família de Joinville acolheu a mulher em casa. Durante o período em que permaneceu na residência, ela teria adotado comportamentos infantis para sustentar a identidade falsa, utilizando mamadeira, chupeta e voz infantilizada.
Ela também teria afirmado ser autista e relatado que havia recebido hormônios de forma forçada durante a infância.
A família forneceu moradia e alimentação e chegou a organizar uma festa de aniversário para a suposta menina de 12 anos. Também teria custeado um tratamento com medicamento de alto custo.
A farsa acabou descoberta depois que uma parente da família passou a desconfiar da história e encontrou na internet relatos de golpes semelhantes atribuídos à mesma mulher. A família procurou a Polícia Civil, e Amanda foi presa em flagrante em 2 de junho.
Investigação aponta outros casos
As investigações também apontaram que Amanda teria utilizado personagens semelhantes em outros estados brasileiros, com registros relacionados a ocorrências em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás, Ceará e Paraná.
Conforme as informações divulgadas sobre o caso, em diferentes situações ela teria se aproximado de pessoas por meio de igrejas e projetos sociais, apresentado histórias de abuso ou abandono e adotado comportamentos infantis para conseguir abrigo, sustento ou dinheiro.
Com a decisão desta quinta-feira, Amanda deixa o sistema prisional, mas continua cumprindo a pena determinada pela Justiça, agora sob monitoramento eletrônico.
Fonte: Jornal Razão
