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Neve deixa cerca de 50 caminhões de empresa de Concórdia retidos na fronteira entre Argentina e Chile

Transportadora enfrenta sequência de fechamentos e restrições no Paso Pino Hachado, onde mais de 1,2 mil caminhões já chegaram a ficar retidos.

Neve deixa cerca de 50 caminhões de empresa de Concórdia retidos na fronteira entre Argentina e Chile
Foto: Reprodução

Cerca de 50 caminhões da Transportes Silvio, empresa de Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, estão entre os veículos afetados pela sequência de fechamentos e restrições provocados pela neve na Cordilheira dos Andes. Os caminhões aguardam condições de segurança para seguir viagem pelo Paso Pino Hachado, passagem internacional que liga a província de Neuquén, na Argentina, ao Chile.

A situação foi relatada pela CEO da empresa, Francine Roman, em uma publicação nas redes sociais. Segundo ela, aproximadamente 50 veículos da transportadora estão “presos” nas regiões de fronteira e aguardam a melhora das condições climáticas para retomar as viagens internacionais.

“Já são mais de 20 dias de fronteiras fechadas entre Argentina e Chile, por conta da neve”, escreveu Francine. Na publicação, ela também destacou que o cenário representa um grande desafio para o transporte internacional.

Neve envolve caminhão de transportadora de Concórdia (Foto: Reprodução/Instagram)

A empresa de Concórdia atua no transporte rodoviário internacional e utiliza rotas que conectam o Brasil a países da América do Sul. Para os veículos que estão na região da Cordilheira dos Andes, a retomada da viagem depende não apenas da abertura administrativa da fronteira, mas também das condições das rodovias utilizadas para chegar ao passo.

A neve acumulada, o gelo e o chamado “vento branco” reduzem drasticamente a visibilidade e a aderência da pista. Por isso, mesmo quando há previsão de reabertura, a circulação de caminhões pode permanecer condicionada à avaliação das equipes responsáveis pela segurança e pela manutenção das estradas.

A situação enfrentada pela empresa ocorre em meio a uma crise de grandes proporções no transporte rodoviário entre Argentina e Chile. Nos últimos dias, o Paso Pino Hachado chegou a concentrar mais de 1,2 mil caminhões afetados pelas restrições de circulação provocadas pelo intenso inverno na região. O número, segundo informações divulgadas pelo governo de Neuquén, superou registros de anos anteriores.

Paso Pino Hachado é estratégico para o transporte internacional

O Paso Pino Hachado está localizado na Cordilheira dos Andes e conecta a região de Las Lajas, em Neuquén, na Argentina, à localidade de Liucura, no Chile. Do lado argentino, o acesso ocorre pela Ruta Nacional 242, uma das principais ligações utilizadas pelo transporte de cargas entre os dois países.

Durante o inverno, porém, a passagem é frequentemente afetada por neve, gelo, ventos fortes e baixa visibilidade. Neste sábado, dia 8, a situação continuava complicada.

Segundo o registro oficial do governo argentino, o trecho da RN-242 entre a aduana e a fronteira com o Chile estava com corte total. A estrada foi considerada intransitável durante toda a jornada devido ao acúmulo de gelo e neve, presença de “vento branco” e baixa aderência da pista. Equipes permaneciam trabalhando na região.

O governo de Neuquén também mantém operações especiais para atender os caminhoneiros afetados pelos bloqueios. Desde junho, a província conta inclusive com uma estrutura preparada para receber até 250 caminhões em períodos de fechamento do passo por condições climáticas adversas.

Efeito dominó nas fronteiras

Motoristas não têm o que fazer a não ser esperar (Foto: Reprodução/Instagram)

A situação em Pino Hachado não ocorre de forma isolada. O intenso inverno também provocou interrupções ou restrições em outros passos internacionais entre Argentina e Chile. Com isso, parte do fluxo de veículos pesados foi direcionada para rotas alternativas, aumentando ainda mais a concentração de caminhões na região de Pino Hachado.

No fim de julho, as autoridades de Neuquén já registravam centenas de caminhões retidos em diferentes pontos da província. O aumento do fluxo em direção ao Pino Hachado ocorreu justamente em meio às dificuldades enfrentadas em outros corredores internacionais.

Em condições normais, o Paso Pino Hachado opera com um fluxo muito inferior ao registrado durante os períodos de crise. O aumento excepcional do movimento, somado às interrupções causadas pela neve, acabou formando longas filas e áreas de espera para os veículos de carga.

As autoridades argentinas seguem monitorando as condições das rotas da região e orientando motoristas a consultar os boletins oficiais antes de viajar.

Para o transporte internacional, a situação representa um problema que vai além do atraso de uma viagem. A retenção dos caminhões interfere na programação das empresas, nos prazos de entrega, na logística das cargas e na disponibilidade dos motoristas e veículos.

 
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