Um morador do Paraná afirma ter sido vítima de um sequestro após atravessar a fronteira entre Foz do Iguaçu e Cidade do Leste para encontrar um homem que conheceu por meio do Grindr. Segundo o relato, ele permaneceu mais de 12 horas em cativeiro, foi agredido, ameaçado de morte e forçado a realizar transferências bancárias e contratar empréstimos que totalizaram cerca de R$ 100 mil.
Por questões de segurança, a identidade da vítima não foi divulgada.
De acordo com o homem, ele estava em Foz do Iguaçu a trabalho quando criou um perfil no aplicativo para conhecer pessoas na região. Após iniciar uma conversa considerada normal, combinou um encontro no lado paraguaio da fronteira. O combinado era encontrar o suspeito em frente a um motel e, em seguida, sair para jantar. No entanto, ao chegar ao local, foi surpreendido pelos criminosos.
Segundo a vítima, a abordagem foi imediata e marcada por extrema violência.
"Eles começaram a me bater e falar: 'Perdeu, perdeu'. Pegaram meu telefone e mandaram desbloquear. Como eu errei a senha por nervosismo, começaram a me bater e falaram que iam me matar se eu não colaborasse", relatou.
A vítima afirma que foi levada para diferentes pontos de uma área de mata, onde permaneceu sob ameaça durante toda a noite. Durante o período em que esteve em cativeiro, os criminosos exigiam acesso ao celular para contratar empréstimos, realizar transferências bancárias e esvaziar suas contas.
"Eles falavam o tempo inteiro que iam me matar, me jogar no rio e que eu nunca mais ia ver minha família."
Após mais de 12 horas de cárcere, os sequestradores abandonaram a vítima em uma viela. Ao reconhecer que estava na região central de Cidade do Leste, ela caminhou até as proximidades da Ponte da Amizade, onde procurou a Polícia de Turismo paraguaia para registrar a ocorrência.
O caso é investigado pelas autoridades paraguaias, que buscam identificar os responsáveis pelo crime.
Grindr se manifesta
Em nota, o Grindr informou que repudia qualquer utilização da plataforma para a prática de crimes e afirmou tratar com seriedade os casos de violência, extorsão e golpes envolvendo usuários.
A empresa destacou ainda que colabora com as autoridades durante as investigações e mantém medidas de segurança na plataforma, como alertas para usuários em regiões consideradas de risco, além de orientações para que os primeiros encontros sejam realizados em locais públicos e movimentados.
Alerta aos usuários
Casos como esse reforçam a importância de adotar medidas de segurança ao utilizar aplicativos de relacionamento. Especialistas orientam que os primeiros encontros ocorram sempre em locais públicos, que familiares ou amigos sejam informados sobre o destino e que se evite atravessar fronteiras ou ir a locais isolados para encontrar pessoas desconhecidas.
Fonte: G1
