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Santa Catarina registra recorde de mortes de pinguins-de-magalhães no primeiro semestre de 2026

Mais de 1,9 mil aves foram encontradas mortas nas praias catarinenses; número é o maior desde o início do monitoramento em 2015

Santa Catarina registra recorde de mortes de pinguins-de-magalhães no primeiro semestre de 2026
Foto: PMP-BS/R3 Animal/Divulgação

Santa Catarina registrou um número recorde de mortes de pinguins-de-magalhães no primeiro semestre de 2026. De acordo com o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), 1.910 aves já foram encontradas mortas no litoral catarinense até o momento, o maior acumulado para o período desde o início da série histórica, em 2015.

Os dados foram divulgados na última sexta-feira (19) e têm chamado a atenção dos pesquisadores. Segundo o coordenador-geral do PMP-BS em Santa Catarina e no Paraná, André Barreto, o número está muito acima da média registrada para esta época do ano.

"A gente costuma ter, para junho, por volta de 1,2 mil a 1,3 mil, que é o máximo que a gente já teve. A nossa média é em torno de 350. Então, realmente, é um número que está nos chamando atenção", afirmou.

Migração explica parte das mortes

Os pinguins-de-magalhães vivem em colônias na Patagônia argentina e iniciam, a partir de abril, uma longa migração em direção ao litoral brasileiro. Durante esse deslocamento, é comum que parte das aves não resista à viagem.

De acordo com Barreto, cerca de 90% dos pinguins encontrados mortos em Santa Catarina são juvenis. Muitos chegam debilitados e sem reservas de gordura suficientes para concluir a jornada.

"A maior parte da mortalidade é causada pelo próprio esgotamento do animal durante o processo migratório. São animais que já chegam muito fracos e debilitados", explicou.

Pesquisadores buscam explicação para aumento dos casos

Apesar do recorde registrado neste ano, os especialistas ainda não conseguem apontar uma causa específica para o aumento das mortes.

Entre as hipóteses analisadas estão fatores oceanográficos, que podem influenciar o deslocamento das aves até a costa brasileira, e fatores biológicos relacionados à quantidade de pinguins nascidos nas colônias argentinas.

Todas as carcaças encontradas passam por avaliação das equipes do projeto. Quando possível, são realizadas necropsias para identificar as causas da morte e reunir informações que ajudem a compreender o fenômeno.

Após o encerramento da temporada migratória, previsto para setembro, os pesquisadores irão cruzar os dados com informações ambientais, como ocorrência de frentes frias e possíveis interferências humanas.

O que fazer ao encontrar um pinguim na praia?

O Projeto de Monitoramento de Praias orienta a população a seguir alguns cuidados ao encontrar um pinguim na faixa de areia:

  • Acionar a equipe do PMP-BS pelo telefone 0800 642 3341;
  • Não devolver o animal ao mar;
  • Não colocá-lo em contato com gelo;
  • Não tentar alimentá-lo;
  • Manter cães e outros animais domésticos afastados;
  • Evitar tocar ou fazer carinho no animal;
  • Se necessário, mantê-lo em local seguro e aquecido até a chegada da equipe de resgate;
  • Higienizar as mãos após qualquer contato.

O monitoramento é realizado como parte das exigências do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama para as atividades de produção e escoamento de petróleo e gás natural da Petrobras na Bacia de Santos.

G1 

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