Esse contexto varia entre as regiões. No Norte, 29% dos municípios, ou 130 cidades, têm menos de 90% das crianças nessa faixa etária na escola. O menor índice aparece no Sul, onde 11% dos municípios apresentam esse mesmo problema. No Centro-Oeste, são 21% (99 municípios); no Nordeste, 17% (304); e no Sudeste, 13% (213). Os dados são referentes a 2025.
As informações fazem parte de um novo indicador de atendimento escolar em nível municipal, elaborado pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), em parceria com as fundações Bracell, Itaú, VélezReyes+, Van Leer e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), divulgado na quarta-feira (29).
Creches ainda abaixo da meta
No entanto, o novo indicador aponta que 81% dos municípios (4.485 ao todo) ainda estão abaixo desse patamar. A situação é mais crítica no Norte, onde 94% das cidades (424) não atingem 60% de atendimento nessa faixa etária.
Nas demais regiões, os percentuais de municípios abaixo da meta são: 90% no Centro-Oeste, 83% no Sudeste, 81% no Nordeste e 66% no Sul.
Capitais apresentam diferenças
Na outra ponta, os menores índices aparecem em Maceió (64,8%), Macapá (71,4%) e João Pessoa (73,4%).
Quando o recorte é feito para crianças de até 3 anos, São Paulo lidera com 72,9% de atendimento, seguida por Vitória (66,7%) e Belo Horizonte (63%). Todas superam a meta de 60% prevista no PNE. Os piores resultados estão em Macapá (9,1%), Manaus (12,8%) e Porto Velho (16,9%).
Posicionamento do MEC
Entre os investimentos, o ministério destacou o Novo PAC, que já entregou 886 unidades de educação infantil, com aporte de R$ 1,4 bilhão. O programa prevê ainda a construção de 1.684 novas creches e escolas, alcançando 1.438 municípios, com investimento total de R$ 7,5 bilhões. Destas, 821 unidades estão em execução.
Também há foco na retomada de obras paralisadas: das 1.318 unidades que manifestaram interesse, 904 foram aprovadas e 278 já concluídas. A estimativa é de criação de mais de 323 mil vagas em dois turnos, ou cerca de 161 mil em tempo integral.
Segundo o ministério, as ações indicam uma ampliação dos investimentos para apoiar a abertura de novas vagas e reduzir a falta de acesso à educação infantil no país.
Importância dos dados
Segundo o diretor executivo do Iede, Ernesto Martins Faria, identificar quantas crianças estão fora da escola é fundamental para orientar ações de busca ativa e garantir o acesso ao ensino. Ele ressalta que as bases atuais têm limitações: o Censo Demográfico cobre todos os municípios, mas é realizado a cada dez anos, enquanto a PNAD Contínua traz dados anuais, porém restritos a recortes maiores.
O novo levantamento combina dados do Censo Escolar com projeções populacionais do IBGE, divulgadas pelo Datasus, para estimar a cobertura em todos os municípios com maior precisão.
Os numéros oficiais do IBGE, divulgados em dezembro de 2025 e referentes a 2024, apontam que 39,7% das crianças de 0 a 3 anos estavam matriculadas em creches, enquanto entre 4 e 5 anos o índice era de 93,5%.
Ainda assim, o detalhamento municipal indica que a situação pode ser mais crítica em algumas localidades.
SBT NEWS
