A Justiça gaúcha aceitou uma denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) contra o atacante Ênio, do Juventude e atualmente emprestado à Chapecoense, tornando o jogador réu da ação penal por suspeita de manipulação de apostas esportivas e lavagem de dinheiro. Os fatos investigados ocorreram quando o atleta atuava pelo clube de Caxias do Sul.
A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em fevereiro deste ano e aceita após o Judiciário reconhecer indícios suficientes de autoria e materialidade. O processo tramita na 1ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro.
Segundo o promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, responsável pela investigação, foram identificados elementos que apontam para um esquema de manipulação de mercados secundários de apostas, especialmente relacionados à aplicação de cartões amarelos em partidas do Campeonato Brasileiro da Série A.
“A investigação identificou que, em jogos nos quais o atleta era advertido, ocorria aumento atípico e concentrado de apostas no mercado específico de cartão de jogador, indicando possível conhecimento prévio do resultado por parte de apostadores”, destacou o promotor.
Conforme apurado, Ênio teria recebido cartões amarelos de forma deliberada em pelo menos duas partidas da competição, contra o Vitória, na estreia, no Estádio Alfredo Jaconi, e diante do Fortaleza, na oitava rodada, no Ceará. Nas duas ocasiões foram emitidos alertas de possível manipulação após movimentações incomuns em casas de apostas.
Além disso, o MP aponta que o jogador teria ocultado valores superiores a R$ 1,9 milhão, supostamente obtidos de forma ilícita, por meio de movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada.
Operação Totonero
A investigação integra a Operação Totonero, deflagrada em 20 de maio de 2025 pelo 5º Núcleo Regional do Gaeco – Serra, a partir de informações da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e de entidades internacionais de monitoramento da integridade das apostas esportivas.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência do atleta e no Estádio Alfredo Jaconi, no armário de uso pessoal do jogador à época. Também foram autorizadas medidas como quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, que embasaram a denúncia aceita pela Justiça.
Ênio pertence ao Juventude e foi emprestado à Chapecoense até o fim de 2026. O clube gaúcho não se manifestou. A chapecoense divulgou uma nota na tarde desta terça-feira, dia 28, dizendo que “reforça sua postura de cautela, ciente de que a existência de denúncia não se confunde com condenação, sendo assegurado a todo cidadão o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa”.
Leia a nota da Chape na íntegra:
Tendo em vista as informações recentemente veiculadas acerca de um atleta vinculado ao clube, a Associação Chapecoense de Futebol reforça sua postura de cautela, ciente de que a existência de denúncia não se confunde com condenação, sendo assegurado a todo cidadão o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa.
O clube, por meio de sua diretoria e de seu departamento jurídico, acompanha a situação com responsabilidade, em respeito às instituições e ao devido processo legal.
A Chapecoense reitera seu compromisso com a transparência e a ética, mantendo-se atenta ao desenrolar dos fatos e adotando as medidas cabíveis, sempre com base em informações oficiais.
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