Este trabalho inovador resultou na criação da polilaminina, uma molécula experimental. Desenvolvida a partir de proteínas extraídas da placenta humana, a polilaminina tem a capacidade de estimular a regeneração dos neurônios danificados na medula.
Esse feito é considerado um dos mais promissores na área da medicina regenerativa nas últimas décadas.
A polilaminina, administrada através de injeção direta na área da medula espinhal afetada pela lesão, funciona como uma “cola biológica”. Sua ação é criar um ambiente que estimula o crescimento de axônios, favorecendo a reconstrução de circuitos nervosos interrompidos. Essa técnica já foi aplicada em pacientes paraplégicos e tetraplégicos, resultando em uma recuperação parcial de movimentos, mesmo em casos graves. Este é um avanço sem precedentes no tratamento de lesões medulares.
O tratamento está sendo desenvolvido em parceria com o laboratório brasileiro Cristália e já teve a fase 1 dos testes clínicos aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), etapa que avalia a segurança da substância e os primeiros sinais de eficácia.
Até o momento, ao menos 16 pacientes brasileiros conseguiram autorização judicial para receber a aplicação experimental. Desses casos, pelo menos cinco apresentaram recuperação parcial dos movimentos após a administração da polilaminina. Entre os pacientes tratados está Luiz Fernando Mozer, de 37 anos, que ficou tetraplégico após um acidente de motocross no Espírito Santo e relatou, menos de 48 horas após o procedimento, o retorno da sensibilidade e a contração de músculos das coxas e da região anal.
Outro paciente de 35 anos, que sofreu uma queda de moto, voltou a apresentar movimentos no pé e sensibilidade nas pernas, enquanto Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos, conseguiu voltar a andar após o tratamento. Os procedimentos foram realizados sob coordenação médica especializada, incluindo o neurocirurgião Bruno Alexandre Côrtes, do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro.
Apesar de os resultados serem considerados promissores, a pesquisa ainda se encontra em fase inicial de testes clínicos e requer que estudos mais amplos e fases subsequentes sejam realizados para confirmar a eficácia e a segurança do tratamento em uma escala maior. Por essa razão, a comunidade científica enfatiza que os achados, embora notáveis, ainda devem ser validados em etapas futuras de investigação.
Especialistas e pesquisadores já apontam o desenvolvimento da polilaminina como um potencial candidato ao Prêmio Nobel de Medicina no futuro, considerando o impacto que essa tecnologia poderia ter no tratamento de lesões medulares graves. No entanto, esse reconhecimento ainda é especulativo e depende da consolidação dos resultados, de estudos adicionais e da avaliação da comunidade científica internacional ao longo do tempo.
*Com informações de Gazeta de Varginha
