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Operação desarticula grupo criminoso que vendia eletrônicos do Paraguai com notas fiscais falsas pelo Mercado Livre

Segundo investigação, suspeitos fizeram movimentações milionárias ao longo de quatro anos no marketplace da empresa - plataforma que permite cadastro de vendedoras independentes. Grupo também utilizava estrutura da Shopee e Magazine Luiza, de acordo com a Polícia Federal

Operação desarticula grupo criminoso que vendia eletrônicos do Paraguai com notas fiscais falsas pelo Mercado Livre
Foto: PF/ RF | Operação mirou grupo que vendia produtos ilegais em plataformas digitais

 

Um grupo criminoso especializado em vender produtos do Paraguai com notas fiscais falsas em plataformas digitais foi desarticulado nesta terça-feira (8) durante uma operação da Receita Federal e da Polícia Federal. A ação aconteceu no Paraná e mais cinco estados.

Segundo a investigação, os suspeitos utilizavam, principalmente, o marketplace do Mercado Livre para as vendas - plataforma que permite o cadastro de vendedores independentes, que podem comercializar produtos livremente sem a necessidade de aval da empresa. A investigação diz que, apenas na plataforma da empresa, foram movimentados milhões de reais entre 2020 e 2024.

Ainda de acordo com a PF, o grupo também se utilizava do marketplace da Shopee e da Magazine Luiza para comercializar os produtos de origem ilícita.

A Magazine Luiza disse que não foi notificada oficialmente, mas exige que seus vendedores emitam nota fiscal em todas as transações realizadas em sua plataforma e possui instrumentos de controle e revisão que garantem a conformidade das operações.

O Mercado Livre informou que está auxiliando as autoridades nas investigações. Veja as notas na íntegra abaixo.

O g1 aguarda retorno da Shopee.

A importação e venda de produtos permitidos legalmente, mas sem o pagamento de impostos devidos, é considerada crime de descaminho. A pena vai de 1 a 4 anos de prisão.

A PF e a Receita afirmaram que os suspeitos vendiam celulares, discos rígidos, robôs aspiradores, equipamentos de conexão de internet, aparelhos de ar-condicionado portáteis, perfumes e tintas para impressoras nas plataformas.

A investigação diz que o esquema funcionava como uma "empresa ilegal", com etapas definidas para comprar produtos do Paraguai e vendê-los sem pagar impostos em plataformas digitais. Depois das vendas, os suspeitos usavam empresas "laranjas" para dar aparência legal ao dinheiro.

Ao todo, a operação prendeu 20 pessoas suspeitas de atuar nesta organização criminosa e uma está foragira. Também foram cumpridos 32 mandados de busca e apreensão em seis estados brasileiros. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados.

No Paraná, as buscas ocorreram em Foz do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu e Céu Azul. Também houve cumprimento de mandados em Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.

Como funcionava o esquema, segundo a investigação

A investigação aponta que o grupo era altamente estruturado, com divisão de funções e uso de até 300 empresas, em sua maioria de fachada, e mais de 40 pessoas físicas. Segundo a Polícia Federal, era um esquema completo, com compra ilegal, transporte escondido, falsificação de documentos e venda ao público como se tudo fosse regular.

A organização se dividia em núcleos chamados de "grupo de trabalho", formado por motoristas, batedores e olheiros. Havia também o "grupo de compras", responsável por cotações, pedidos e pagamentos no Paraguai; e o "grupo de vendas", que gerenciava as plataformas digitais, controlava as vendas e distribuía os lucros.

Segundo a Polícia Federal, o esquema começava com o "grupo de compras", com pessoas que negociavam e adquiriam eletrônicos no Paraguai, onde os preços são mais baixos devido às taxas menores de imposto.

Em seguida, entrava o "grupo de trabalho", no qual motoristas levavam as mercadorias de forma irregular para o Brasil, muitas vezes em comboio, com batedores e olheiros para tentar evitar fiscalização.

Depois, os produtos recebiam a aparência de "legalizados", de forma falsa. A organização usava empresas de fachada e emitia notas fiscais falsas para fazer parecer que os itens tinham origem regular.

A polícia também verificou que pelo menos 10 pessoas atuavam como "laranjas", cediam a identidade para que fossem abertas empresas e contas bancárias, para dificultar o rastreamento do dinheiro.

Na etapa final, vinha o "grupo de vendas". Os próprios integrantes anunciavam os produtos em plataformas conhecidas, alcançando milhares de consumidores como se fossem vendedores comuns.

O dinheiro obtido com as vendas passava por várias contas e empresas para "limpar" sua origem, prática conhecida como lavagem de dinheiro. Para reforçar a aparência de legalidade, alguns integrantes ainda atuavam nas redes sociais vendendo cursos de e-commerce e importação, como se fossem empreendedores legítimos.

G1

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