Hoje, a Tri-Fronteira está de luto.
Barracão, Dionísio Cerqueira, Bom Jesus do Sul e tantas outras comunidades da nossa região estão com o coração apertado diante de uma tragédia que jamais gostaríamos de contar. Uma notícia que dói mesmo naqueles que nunca conheceram pessoalmente a família, porque existem dores que ultrapassam os laços de amizade, os sobrenomes e as distâncias. São dores humanas. E, diante delas, somos todos parte da mesma comunidade.
Na tarde desta sexta-feira, 16 de outubro, a vida de uma família foi marcada por uma tragédia na BR-163, em Bom Jesus do Sul. Um acidente interrompeu três histórias e deixou uma ferida profunda no coração de todos nós.
Dilva Mangini Armani, de 73 anos, e seus netos, Joaquim Alberti Armani, de 12 anos, e Francisco Alberti Armani, de 9 anos, partiram de maneira inesperada, deixando para trás um vazio impossível de medir.
Dilva não era apenas uma avó. Era uma mulher que construiu sua história ao longo de décadas, uma professora que dedicou parte da vida à educação, ao ensino e à formação de pessoas. Uma profissional que, certamente, deixou marcas na trajetória de muitos alunos e contribuiu para construir futuros por meio do conhecimento. Porque um professor nunca ensina apenas conteúdos: também compartilha valores, transmite esperança e ajuda a escrever capítulos importantes na vida de outras pessoas.
Aos 73 anos, Dilva carregava uma história inteira. Experiências, lembranças, afetos e uma vida construída com o passar dos anos. Tinha uma família unida, pessoas que a amavam e uma história que continuará viva na memória de quem teve o privilégio de conhecê-la.
E, ao lado dela, estavam Joaquim e Francisco.

Dois meninos, duas vidas cheias de possibilidades, dois futuros que ainda estavam começando a ser escritos. Aos 12 e 9 anos, havia tantos caminhos pela frente, tantos aniversários a celebrar, tantas descobertas a fazer, tantos sonhos que ainda ganhariam forma. Havia a infância, as brincadeiras, os abraços, os planos e aquela maneira tão própria das crianças de enxergar o mundo como um lugar cheio de possibilidades.
É difícil encontrar palavras diante de uma perda assim. Como explicar a ausência de uma avó? Como aceitar que duas crianças, que deveriam ter tantos anos pela frente, tenham partido tão cedo? Como encontrar consolo para uma família que saiu de casa para viver momentos juntos e acabou atingida por uma dor que nenhuma palavra consegue apagar?
Existem tragédias que nos lembram, da maneira mais cruel, que a vida pode mudar em uma fração de segundo.
E talvez seja justamente por isso que essa história doa tanto. Porque nos faz pensar em nossas próprias famílias, nas pessoas que amamos, nos abraços que deixamos para depois, nas conversas que adiamos, nos pedidos de desculpas que não fazemos e no tempo que acreditamos ter garantido.
Vivemos tantas vezes com pressa. Corremos atrás de compromissos, de trabalho, de dinheiro, de planos e de tantas coisas que parecem urgentes. Às vezes, esquecemos que a verdadeira riqueza está nas coisas mais simples: sentar à mesa com a família, ouvir a voz de quem amamos, acompanhar o crescimento dos filhos, abraçar os pais, brincar com os netos e dizer, sem motivo especial, o quanto alguém é importante para nós.
A vida não nos avisa quando um momento se tornará uma lembrança. Não sabemos qual abraço será o último, qual despedida será a definitiva ou quantas oportunidades ainda teremos de dizer “eu te amo”.
Por isso, que essa tragédia, além da imensa tristeza que provoca, nos faça refletir. Que a gente não espere perder para reconhecer o valor de quem está ao nosso lado. Que não deixemos para amanhã o carinho que podemos oferecer hoje. Que possamos estar mais presentes, ouvir mais, abraçar mais e valorizar cada instante compartilhado.
Porque, no fim, são os vínculos que construímos, o amor que oferecemos e as lembranças que deixamos que permanecem.
Mas, enquanto fazemos essa reflexão, nossos pensamentos se voltam especialmente para os pais de Joaquim e Francisco, que também ocupavam o veículo da família e foram hospitalizados.
Não existem palavras capazes de dimensionar a dor de uma mãe e de um pai que enfrentam a perda dos próprios filhos. Uma dor que nenhuma frase consegue explicar e para a qual não há respostas fáceis. Além de precisarem lidar com a própria recuperação após o acidente, eles enfrentam agora uma ausência que jamais deveria fazer parte da vida de uma família.
A eles, aos demais familiares, aos amigos e a todos que sofrem com essa tragédia, a Tri-Fronteira dirige suas orações, seu carinho e sua solidariedade.
Que encontrem amparo nos braços daqueles que os amam. Que recebam apoio nos momentos em que as palavras faltarem. E que, mesmo em meio a uma dor tão profunda, nunca lhes falte a presença de pessoas dispostas a caminhar ao seu lado.
Hoje, a Tri-Fronteira chora. Choram as famílias, choram os amigos, choram aqueles que conheceram Dilva e aqueles que apenas ouviram falar dela e de seus netos. Chora uma região que se reconhece na dor do outro e que, diante de uma tragédia dessa dimensão, compreende que a vida humana está acima de qualquer diferença.
Não há muito o que dizer. Há, sim, muito pelo que orar.
Que Deus receba Dilva, Joaquim e Francisco em sua infinita misericórdia. Que suas histórias não sejam lembradas apenas pela tragédia que interrompeu suas vidas, mas também pelo amor que compartilharam, pelos vínculos que construíram e pelas marcas que deixaram naqueles que tiveram a oportunidade de conviver com eles.
E que a família encontre forças para atravessar os dias difíceis que virão, amparada pelo carinho de uma comunidade inteira.
Hoje, três nomes se tornam parte da memória dolorosa da nossa região. Três vidas, uma família e uma saudade que não conhece fronteiras.
Dilva, Joaquim e Francisco: que o amor deixado por vocês seja maior do que a dor desta despedida.
A Tri-Fronteira está de luto. A Tri-Fronteira está em oração.
E, diante de uma perda tão irreparável, fica a certeza de que algumas histórias terminam cedo demais, mas o amor que elas deixam jamais pode ser apagado.
Everson Coutinho / Portal Tri
