Uma eleitora que saiu de Curitibanos, no Meio-Oeste catarinense, para votar em Ponte Serrada, no Oeste de Santa Catarina, foi impedida de exercer o voto no primeiro turno das eleições depois que o sistema eleitoral indicou que ela já havia votado. O caso ocorreu no domingo, dia 4, na seção 024, instalada na Escola Dom Vital, no Centro de Ponte Serrada.
A psicóloga Silmara da Aparecida Magri disse ao Oeste Mais que ainda mantém o título eleitoral em Ponte Serrada, onde morava, e fez cerca de três horas de viagem para chegar ao município após sair de Curitibanos, onde mora atualmente. Ao apresentar os documentos na seção, porém, a mesa encontrou no terminal a mensagem de que o “eleitor já havia votado”.
Uma nova tentativa foi feita utilizando o CPF da eleitora, mas o resultado foi o mesmo. A situação chamou a atenção porque, segundo o boletim de ocorrência registrado por Silmara na Polícia Civil, a conferência do caderno de votação mostrou que não havia assinatura no campo correspondente ao nome dela e o comprovante de votação também não tinha sido destacado. Mesmo assim, ela não conseguiu votar.
“Eu cheguei lá e tive a surpresa de que eu já havia votado. Se outra pessoa votou por mim, como que foi liberado esse voto se a biometria que libera a urna para o voto?”, questiona.
A principal dúvida apresentada pela eleitora é justamente sobre a forma como o sistema poderia ter registrado seu voto se a identificação do eleitor passa por mecanismos de segurança, entre eles a biometria.
Após algumas tentativas na seção, ela foi orientada a procurar o Cartório Eleitoral da comarca de Ponte Serrada. No local, recebeu a informação de que nada poderia ser feito naquele momento, uma vez que o sistema já indicava que o voto havia sido realizado.
Boletim de ocorrência e reclamação na ouvidoria
Silmara registrou um boletim de ocorrência (BO) na Polícia Civil e abriu uma reclamação na ouvidoria da Justiça Eleitoral. Conforme consta no BO, uma das possibilidades apresentadas pelo Cartório Eleitoral teria sido “um erro no momento de liberar a urna para a votação”.
Ainda no documento, ela relata que, após a mensagem apresentada pelo terminal na seção, o presidente da mesa consultou o caderno de votação, que não apresentava a assinatura dela e nem o comprovante estava destacado.
“Eu fiz mais de 400 quilômetros [entre ida e volta] para ir a Ponte Serrada. Cheguei em casa domingo por volta da meia-noite. Eu queria ter votado, fiz a minha cola para ir lá, chegar lá e votar, e aí acontece isso comigo, e eu não tenho uma resposta”, lamentou.
O que diz a Polícia Civil
O delegado Rodrigo Dantas informou nesta terça-feira, dia 6, que a Polícia Civil ainda não abriu investigação sobre o caso. “Estamos em sede de verificação preliminar de informações. É o procedimento adotado para angariar maiores informações sobre os fatos noticiados, de modo a viabilizar a instauração de procedimento”.
O que diz a Justiça Eleitoral
O Oeste Mais também entrou em contato com o Cartório Eleitoral da comarca de Ponte Serrada para questionar sobre o episódio, mas não havia recebido retorno até a última atualização desta notícia.
A reportagem também busca esclarecimentos junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) sobre quais registros ficam armazenados quando um eleitor é habilitado para votar e se é possível identificar como ocorreu a habilitação que antecedeu a chegada de Silmara à seção.
2º turno: “não vou conseguir votar novamente?”
A preocupação de Silmara também se volta ao segundo turno das eleições. Ela disse que pretende viajar novamente até Ponte Serrada para votar, mas quer saber se o problema poderá se repetir.
“Eu vou sair daqui de Curitibanos para votar lá em Ponte Serrada, e aí eu vou chegar lá, já vai constar um voto lá na urna, e eu não vou conseguir votar novamente?”.
Oeste Mais
