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Cesta básica já consome mais da metade do salário mínimo e exige quase 106 horas de trabalho

Levantamento da Conab e do Dieese mostra alta de 8,69% no custo da cesta básica em um ano. Em São Paulo, trabalhador precisa dedicar mais de 131 horas de trabalho para comprar os alimentos essenciais

Cesta básica já consome mais da metade do salário mínimo e exige quase 106 horas de trabalho
Foto: Divulgação/ONG Ação da Cidadania

O custo da cesta básica segue pressionando o orçamento das famílias brasileiras. Em junho de 2026, o valor médio do conjunto de alimentos nas 27 capitais chegou a R$ 779,95, alta de 8,69% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Na prática, a cesta básica já consome 52,02% do salário mínimo líquido, o que significa que mais da metade da renda mensal de muitos trabalhadores é destinada apenas à compra de alimentos essenciais.

O aumento acompanha a elevação dos preços dos alimentos. Nos últimos 12 meses, o grupo Alimentos e Bebidas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou inflação de 3,82%, impactando diretamente o custo da alimentação.

Em média, um trabalhador brasileiro precisa dedicar 105 horas e 51 minutos de trabalho para adquirir uma cesta básica, considerando uma jornada de oito horas diárias, de segunda a sexta-feira.

A capital com o maior custo é São Paulo, onde a cesta básica atingiu R$ 965,47. O valor representa 64,39% do salário mínimo líquido, exigindo 131 horas e 2 minutos de trabalho para a compra dos produtos. Na sequência aparecem Cuiabá, Rio de Janeiro, Florianópolis e Porto Alegre entre as capitais onde a cesta também pesa mais no bolso dos trabalhadores.

Além de liderar em valor absoluto, São Paulo registrou aumento de 9,37% em relação a junho de 2025. Já Cuiabá teve a maior alta percentual do país, com crescimento de 14,71% em 12 meses e cesta avaliada em R$ 937,93.

Na outra ponta do levantamento, Aracaju apresentou a cesta básica mais barata entre as capitais, com custo médio de R$ 630,40. São Luís foi a única capital a registrar queda no preço do conjunto de alimentos no período, com redução de 0,09%.

Com base no custo da alimentação e das demais despesas essenciais, Conab e Dieese estimam que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 8.110,92. O valor equivale a aproximadamente cinco vezes o salário mínimo nacional, atualmente fixado em R$ 1.621, e supera em cerca de R$ 4,4 mil o rendimento médio do trabalhador brasileiro, estimado em R$ 3.726, conforme a Pnad Contínua, do IBGE.

Fonte: CNN Brasil.

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