O caso do bebê Noah, encontrado com sinais vitais horas após ter sido declarado morto em um hospital de Rio Claro (SP), chamou a atenção de especialistas de todo o país. Em entrevista ao Fantástico, médicos afirmaram que uma das hipóteses discutidas pela literatura médica é a chamada Síndrome de Lázaro, um fenômeno extremamente raro caracterizado pelo retorno espontâneo da circulação após o encerramento das tentativas de reanimação.
Segundo o gerente médico do Hospital Infantil Sabará, Nelson Rorigoshi, esse tipo de ocorrência é incomum em qualquer lugar do mundo.
"Isso é muito raro no mundo inteiro. A maioria dos casos registrados envolve adultos e idosos. Em crianças, é ainda mais incomum", explicou.
De acordo com o especialista, revisões científicas identificaram apenas cerca de 65 casos semelhantes em todo o mundo.
Caso foge do padrão conhecido
Embora a Síndrome de Lázaro seja considerada uma possível explicação, Rorigoshi destacou que o caso de Noah é diferente dos episódios já descritos.
Na maioria das ocorrências, o retorno da circulação acontece poucos minutos após a interrupção da reanimação. Cerca de 70% dos casos ocorrem em até cinco minutos, enquanto os demais são registrados em até dez minutos.
No caso do bebê, entretanto, os sinais vitais foram percebidos horas depois, tornando a situação considerada excepcional pelos especialistas.
Entenda o caso
Noah nasceu na Santa Casa de Rio Claro com uma grave malformação congênita. Logo após o parto, sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e passou por mais de 40 minutos de manobras de reanimação.
Segundo o hospital, após o esgotamento de todos os procedimentos previstos e a constatação clínica da morte, o óbito foi declarado e comunicado aos familiares.
Horas depois, durante os preparativos da funerária para o sepultamento, funcionários perceberam que o bebê apresentava sinais vitais. Noah foi imediatamente levado de volta ao hospital e, posteriormente, transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Investigação em andamento
A Santa Casa de Rio Claro instaurou uma investigação para apurar o episódio.
O diretor médico da instituição, Marco Aurélio Mestrinel, afirmou que todos os protocolos para constatação da morte foram seguidos e que, até o momento, não foram identificadas falhas no atendimento. O caso também está sendo analisado pela comissão de ética do hospital.
Dois dias após o episódio, Noah foi transferido para o Hospital das Clínicas de Bauru, referência no tratamento de doenças genéticas e anomalias congênitas, onde permanece internado em acompanhamento médico.
Segundo a família, o bebê apresenta evolução clínica e deverá passar por novos procedimentos antes de receber alta.
Os pais relatam que viveram quase cinco horas de luto antes de descobrir que o filho estava vivo e, desde então, acompanham a recuperação do menino, que passou a ser chamado pela família de "bebê milagre".
G1
