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Câncer de pâncreas: por que a doença costuma ser descoberta tarde

Tumor tem sintomas inespecíficos, não possui exame de rastreamento para a população em geral e apresenta uma das menores taxas de sobrevida entre os tipos de câncer

Câncer de pâncreas: por que a doença costuma ser descoberta tarde
Foto: Reprodução / Rede Sociais

O câncer de pâncreas é considerado um dos tumores mais agressivos e de pior prognóstico. Isso acontece porque, na maioria dos casos, a doença permanece silenciosa por meses e só apresenta sinais evidentes quando já está em estágio avançado.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar mais de 13 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028. Embora represente pouco mais de 1% dos diagnósticos de câncer, responde por cerca de 5% das mortes pela doença.

Sintomas costumam ser confundidos

Nos estágios iniciais, os sintomas são vagos e podem ser facilmente confundidos com problemas digestivos comuns, como gastrite ou má digestão.

Entre os principais sinais estão:

  • Dor ou desconforto abdominal;
  • Dor nas costas;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Falta de apetite;
  • Cansaço constante;
  • Má digestão.

Como esses sintomas são comuns em diversas doenças, o diagnóstico costuma demorar.

Icterícia é um sinal de alerta

Quando o tumor cresce na cabeça do pâncreas, pode bloquear a passagem da bile, provocando a icterícia, um dos sinais mais característicos da doença.

Além da pele e dos olhos amarelados, podem surgir:

  • Urina muito escura;
  • Fezes claras ou esbranquiçadas;
  • Coceira intensa na pele.

Especialistas alertam que esses sintomas exigem investigação médica imediata.

Não existe exame de rastreamento

Diferentemente do câncer de mama ou do câncer de intestino, não há um exame recomendado para rastrear o câncer de pâncreas em pessoas sem sintomas.

Segundo especialistas, os exames disponíveis, como a ressonância magnética, não são eficazes para uso em larga escala, pois podem gerar muitos resultados inconclusivos e levar a procedimentos desnecessários.

Quem precisa de acompanhamento

Embora não exista rastreamento para toda a população, algumas pessoas devem receber acompanhamento especializado, principalmente quem apresenta:

  • Dois ou mais parentes de primeiro grau com câncer de pâncreas;
  • Síndromes genéticas hereditárias;
  • Pancreatite crônica ou recorrente.

Nesses casos, exames periódicos e aconselhamento genético podem ser indicados.

Cirurgia ainda é a principal chance de cura

Menos de 30% dos pacientes recebem o diagnóstico em um estágio em que a cirurgia ainda pode ser realizada.

Quando o tumor já se espalhou, o tratamento passa a ser feito com quimioterapia e, em alguns casos, terapias-alvo direcionadas às alterações genéticas do câncer.

Novo medicamento traz esperança

Durante o congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) de 2026, pesquisadores apresentaram resultados promissores do medicamento daraxonrasib, indicado para tumores com mutação no gene RAS, presente em cerca de 90% dos casos de câncer de pâncreas.

O estudo mostrou que a sobrevida mediana aumentou de 6,7 meses para 13,2 meses, reduzindo em aproximadamente 60% o risco de morte.

O medicamento ainda está em fase de aprovação regulatória e não possui registro na Anvisa nem aprovação definitiva da FDA, mas representa uma das maiores perspectivas de avanço no tratamento da doença nas últimas décadas.

Como reduzir o risco

Embora não seja possível prevenir todos os casos, especialistas recomendam hábitos que ajudam a diminuir o risco de desenvolver a doença:

  • Não fumar;
  • Evitar consumo excessivo de álcool;
  • Manter alimentação saudável;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Controlar o peso corporal.

O diagnóstico precoce continua sendo o maior desafio. Por isso, sintomas persistentes ou alterações como pele amarelada, urina escura e perda de peso sem causa aparente devem ser avaliados por um médico o quanto antes.

G1 

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