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Bebê que recebeu soro de cobra por engano morre aos 10 meses em SC e família acusa negligência

José Alfredo de Campos recebeu soro antiofídico ao invés do imunizante para hepatite B em um hospital de Canoinhas. Causa da morte ainda não foi confirmada.

Bebê que recebeu soro de cobra por engano morre aos 10 meses em SC e família acusa negligência
Foto: Reprodução

José Alfredo de Campos, um dos 11 bebês que receberam soro antiofídico por engano ao invés de vacina, morreu na última terça-feira (2) em Joinville (SC) aos 10 meses. A causa da morte não foi divulgada oficialmente. O bebê estava internado com um quadro de bronquiolite viral, infecção respiratória comum em crianças menores de 2 anos.

Não há informações de que a infecção tenha relação com a aplicação do soro por engano. A família afirma que houve negligência no atendimento médico no Hospital São Lucas, para onde ele foi levado um dia antes da morte, quando começaram os sintomas respiratórios.

A falha na aplicação ocorreu em julho de 2025 em Canoinhas, quando 11 doses de soro antibotrópico foram administradas no lugar do imunizante contra a hepatite B no Hospital Santa Cruz de Canoinhas.

Na época, nenhum dos recém-nascidos apresentou complicações imediatas ou efeitos colaterais após a aplicação do soro, que é usado contra picadas de serpentes como jararacas e jararacuçus.

Segundo Leila de Campos, mãe de José Alfredo, desde que recebeu a dose por engano, o filho passou a ter a imunidade baixa, necessitando de idas frequentes à unidade de saúde de Major Vieira.

“Ele não tinha uma saúde normal. Vivia no antibiótico. Apresentava um sinal de ‘gripezinha’, que eles chamavam assim, né? Eu cheguei a levá-lo duas vezes lá [no Hospital Santa Cruz de Canoinhas]. Moro longe, no interior de Major Vieira, e nós somos pessoas simples. Chegava lá e eles só examinavam, dizendo: ‘não podemos dar nenhum medicamento’”, lembra.

Família relata falhas no atendimento

O bebê começou a apresentar febre no último domingo (31) e foi medicado pela mãe em casa. No início da noite de segunda-feira (1°), o quadro de saúde piorou, e ele foi levado ao Hospital São Lucas, administrado pela prefeitura de Major Vieira, município onde a família reside.

A médica plantonista identificou que o paciente estava desidratado, pálido e com baixa saturação de oxigênio.

“Ele estava bem caidinho, abatido e não queria comer. Ainda mamava no peito, mas recusava. A gente conhece o filho que tem, né? Mesmo quando estava doentinho, ele era bem travesso e sempre alegre”, relembra a mãe.

O menino passou por um exame de raio-X do pulmão, cujo resultado apontou bronquiolite viral. A doença causa a inflamação dos bronquíolos (pequenas vias aéreas), gerando acúmulo de secreção e dificuldade para respirar.

“Aí eu penso comigo: por que não o transferiram na hora? Por que esperar até o outro dia para pedir a transferência?”, questiona Leila.

Na terça-feira (2), o hospital local solicitou a transferência do paciente para o Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria, em Joinville. O trajeto foi realizado pelo Samu.

"Aí o Samu já chegou indignado. Até a equipe falou aqui: “como é que deixaram a criança ficar desse jeito para pedir transferência?”, conta a mãe.

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