O caso de um homem preso por engano durante a investigação de um crime que chocou o Paraná voltou a repercutir após o pedido de indenização contra o Estado. Reginaldo Aparecido dos Santos solicita R$ 500 mil por danos morais, após passar 43 dias preso injustamente.
O crime aconteceu em março de 2025, no município de Jataizinho, onde Marley Gomes de Almeida e a neta Ana Carolina Almeida foram encontradas mortas dentro de casa. O caso gerou grande comoção e teve ampla repercussão.
Reginaldo foi preso poucos dias depois, após imagens de câmera de segurança indicarem que ele teria passado próximo à residência das vítimas no dia do crime. No entanto, ele foi solto apenas em maio, depois que o verdadeiro autor, João Vitor Rodrigues, se entregou e confessou os assassinatos.
Antes mesmo da prisão, Reginaldo chegou a ser agredido por moradores, teve a casa invadida e relatou ter sofrido violência também durante a custódia. Segundo a defesa, ele foi vítima de danos físicos, morais e psicológicos, além de enfrentar até hoje o estigma social de ter sido apontado injustamente como autor de um crime grave.
Na ação, os advogados argumentam que houve falhas na condução das investigações e exposição indevida da imagem do inocente, o que teria contribuído para uma “condenação social antecipada”.
Em nota, o Governo do Estado informou, por meio da Procuradoria-Geral do Estado do Paraná, que ainda não foi formalmente citado no processo e, portanto, não tem conhecimento oficial do pedido de indenização. Ainda segundo o posicionamento, a prisão ocorreu dentro da investigação e o homem foi liberado assim que o verdadeiro autor confessou o crime.
O responsável pelos assassinatos foi condenado em janeiro de 2026 a 60 anos de prisão. O Tribunal de Justiça do Paraná entendeu que ele cometeu duplo latrocínio e fraude processual. Desde então, permanece preso.
