Notícias

Produtores do Paraná vivem há 14 anos sob incerteza se moram em propriedade com petróleo

Família passou a suspeitar do combustível fóssil na propriedade após criação de animais morrer no local. Agência Nacional do Petróleo diz que área não tem petróleo, mas família cita improdutividade como contestação.

Produtores do Paraná vivem há 14 anos sob incerteza se moram em propriedade com petróleo
Foto: Dilson Rodrigues

 

Há 14 anos, a suspeita de petróleo em um sítio de Itapejara d'Oeste, no Sudoeste do Paraná, causa problemas para uma família de produtores rurais. O que inicialmente parecia a possibilidade de uma fonte extra de renda, virou dor de cabeça diante da incerteza do que a substância, efetivamente, é.

Patrícia Misturini, uma das herdeiras do local, conta que tudo começou em 2012, quando o avô, Ervino Maciel, acreditou ter encontrado o combustível fóssil na propriedade. A suspeita teve início com a morte de três vacas, que fez a família começar a investigar a qualidade da água e do solo.

Um ano depois, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) analisou amostras do sítio e informou que a propriedade não tem petróleo, porém, não informou o que pode ter causado a morte dos animais, nem se há alguma substância tóxica no local. Leia mais abaixo.

A área onde a família acredita que tenha petróleo fica nos fundos do sítio e corresponde a cerca de 1,5 hectare de um espaço maior, que chegou a ter 9,6 hectares. Atualmente, o local específico sob suspeita da família está sem uso e com vegetação alta.

De 2012 para cá, a família diz que perdeu mais animais e teve que abandonar a produção rural. Eles também pararam de consumir a água da propriedade e atualmente fazem captação de um poço artesiano do vizinho.

"Foram feitos vários exames, mas os veterinários não descobriam o que as vacas tinham. Até que um deles disse: ‘só pode ser a água'. Dito e feito. Mandamos a água para um laboratório, e o resultado apontou que estava contaminada", relembra Patrícia

A propriedade mantinha um pequeno rebanho de aproximadamente 12 vacas, além de suínos e galinhas.

"O gado de leite que garantia a sobrevivência foi vendido ou morreu. Hoje, apenas minha tia e prima permanecem no sítio, mas elas precisam trabalhar na cidade para sobreviver", afirma.

Mais de 10 anos após a suspeita, as atividades pecuárias na propriedade continuam suspensas e a família afirma que não tem uma resposta definitiva sobre a situação.

Quando o caso começou, Patrícia lembra que a família contratou uma análise particular, que viu semelhança entre as rochas da propriedade e às encontradas em áreas petrolíferas. O laudo, no entanto, indicou a necessidade de exames complementares, que vieram a partir da ANP.

A coleta de solo e água foi feita em fevereiro de 2013 e as análises foram executadas por um laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo a ANP, à época, não foram encontrados biomarcadores de petróleo ou substâncias relacionadas.

A agência disse que o laudo foi encaminhado à família em março de 2013. Patrícia, no entanto, afirma que nunca recebeu o documento.

g1 questionou a agência sobre a possibilidade de contaminação do solo e da água da propriedade. A ANP informou que o objetivo das analises, na época, não era a identificação de outros compostos nocivos, mas sim de combustível fóssil. Destacou, ainda, que dentro dos limites dos métodos utilizados, não foram encontrados indícios de contaminação.

Para Patrícia e a família, a esperança de que existe petróleo no sítio nunca morreu. Parte da propriedade chegou a ser vendida, mas o 1,5 hectare onde acreditam haver o combustível foi mantido, apesar de terem recebidos propostas de compra consideradas altas.

“A gente nunca desistiu. Queremos que provem que não há risco, ou que assumam a contaminação e digam se podemos usar a água com segurança.” 

O que fazer se suspeitar de petróleo na propriedade

Em caso de suspeita de presença de petróleo na propriedade, a ANP orienta que não seja realizada qualquer intervenção na área e pede que as pessoas acionem a agência pelos canais oficiais de comunicação para análises e outros procedimentos.

No Brasil, a exploração e a produção de petróleo são atividades exclusivas de empresas autorizadas. Segundo a ANP, o trabalho exige cuidados específicos por riscos como exposição a vapores tóxicos, incêndios, explosões, além de contaminação do solo e da água e prejuízos à saúde humana.

Quando há confirmação de petróleo ou gás natural em propriedades, a legislação prevê compensação financeira ao proprietário rural em caso de exploração regular. De acordo com a Lei do Petróleo, de 1997, empresas concessionárias devem pagar uma participação sobre o valor da produção aos donos das terras onde a atividade ocorre. Esse valor é calculado mensalmente pela ANP e varia entre 0,5% e 1% da receita bruta de cada poço.

G1

----------------------
Receba GRATUITAMENTE nossas NOTÍCIAS! CLIQUE AQUI
----------------------

Envie sua sugestão de conteúdo para a redação:
Whatsapp Business PORTAL TRI NOTÍCIAS (49) 9.8428-4536 / (49) 3644-4443

Cotações

Clima

Quarta
Máxima 26º - Mínima 17º
Céu nublado

Quinta
Máxima 24º - Mínima 19º
Céu nublado com aguaceiros e tempestades

Sexta
Máxima 26º - Mínima 17º
Céu nublado com chuva fraca

Sábado
Máxima 25º - Mínima 14º
Céu limpo

Domingo
Máxima 28º - Mínima 15º
Períodos nublados

Sobre os cookies: usamos cookies para personalizar anúncios e melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.