O número de exames para detecção precoce do câncer de intestino realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) triplicou nos últimos dez anos, segundo levantamento divulgado durante a campanha Março Azul.
Entre 2016 e 2025, a pesquisa de sangue oculto nas fezes passou de 1.146.998 para 3.336.561 exames — um aumento de cerca de 190%. Já as colonoscopias cresceram de 261.214 para 639.924 no mesmo período, avanço de aproximadamente 145%.
Os estados com maior volume de exames em 2025 foram São Paulo, com mais de 1,1 milhão de testes, seguido por Minas Gerais e Santa Catarina. Já os menores números foram registrados no Amapá, Acre e Roraima.
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), Eduardo Guimarães Hourneaux, o aumento está diretamente relacionado às campanhas de conscientização e à mobilização de profissionais e autoridades de saúde. “A campanha Março Azul tem transformado o medo em atitude e esperança”, destacou.
Ele explica que a maior divulgação de informações tem levado mais pessoas a procurar atendimento médico e realizar exames preventivos, especialmente durante o mês de março.
Influência de casos públicos
O especialista também aponta que o diagnóstico e a morte de figuras públicas ajudaram a ampliar o debate sobre a doença. Entre os exemplos citados estão Preta Gil, Chadwick Boseman e Roberto Dinamite, que contribuíram para alertar a população sobre sintomas e importância do diagnóstico precoce.
De acordo com dados preliminares da campanha, entre 2023 e 2025, período que coincide com a repercussão do caso de Preta Gil, houve crescimento de 18% nos exames de sangue oculto nas fezes e de 23% nas colonoscopias.
Prevenção ainda é desafio
A campanha Março Azul é promovida por entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, a Sociedade Brasileira de Coloproctologia e a Federação Brasileira de Gastroenterologia, com apoio de diversas instituições.
Apesar do avanço, o alerta segue. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta aumento nas mortes prematuras por câncer de intestino até 2030, impulsionado pelo envelhecimento da população, crescimento de casos entre jovens, diagnóstico tardio e baixa cobertura de exames de rastreamento.
Especialistas reforçam que a detecção precoce é fundamental, já que as chances de cura são significativamente maiores quando a doença é identificada nas fases iniciais.
