Um estudo publicado na revista científica The Lancet Psychiatry aponta que medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”, utilizados no tratamento de diabetes e obesidade, podem estar associados à redução de casos de ansiedade e depressão.
A pesquisa analisou dados de quase 100 mil participantes, sendo que mais de 20 mil utilizaram fármacos da classe dos análogos de GLP-1, como a semaglutida — princípio ativo de medicamentos populares como Ozempic e Wegovy.
Os resultados indicam que o uso da semaglutida foi o mais associado à redução de afastamentos do trabalho e internações por motivos psiquiátricos. Durante o período de uso, houve uma queda de 42% nesses eventos em comparação aos momentos em que os pacientes não utilizavam o medicamento.
Ao analisar separadamente os transtornos, o estudo apontou uma redução de 44% no risco de depressão e de 38% nos casos de ansiedade.
Segundo o pesquisador Mark Taylor, da Griffith University, ainda não é possível afirmar exatamente o motivo dessa associação. Entre as hipóteses estão a melhora na autoestima com a perda de peso e o controle mais eficiente dos níveis de glicose no sangue.
Além disso, há indícios de que a semaglutida atue diretamente no cérebro, influenciando sistemas ligados à recompensa, como os relacionados à dopamina, além de possíveis efeitos anti-inflamatórios e de recuperação cerebral.
Outro dado relevante é a redução de 47% em hospitalizações e afastamentos relacionados ao uso de substâncias, sugerindo potencial impacto também no tratamento de vícios. Estudos anteriores, como os conduzidos pela Washington University School of Medicine in St. Louis, já apontavam benefícios semelhantes.
Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que o estudo demonstra apenas uma associação, e não uma relação de causa e efeito. Para isso, seriam necessários ensaios clínicos mais rigorosos.
A semaglutida atua simulando o hormônio GLP-1, responsável por regular o apetite. Ao prolongar essa ação no organismo, o medicamento aumenta a sensação de saciedade e contribui para a perda de peso.
Especialistas reforçam que o uso desses medicamentos deve ser feito apenas com prescrição e acompanhamento médico, dentro de uma estratégia adequada de tratamento.
G1
