O Ministério da Saúde anunciou a incorporação de uma nova tecnologia ao Sistema Único de Saúde (SUS) para auxiliar no cuidado de bebês prematuros logo após o nascimento. O equipamento, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), permite avaliar a idade gestacional e a maturidade pulmonar do recém-nascido por meio da análise da pele do pé do bebê.
A tecnologia, chamada PreemieTest, funciona com uma pequena sonda posicionada no pé do recém-nascido. Em poucos segundos, o dispositivo analisa características da pele e fornece informações importantes para que as equipes médicas definam rapidamente os cuidados necessários.
Entre as decisões que podem ser auxiliadas pelo exame estão a necessidade de suporte respiratório, internação em unidade neonatal ou o encaminhamento imediato para um hospital com maior estrutura de atendimento.
A incorporação da tecnologia ao Sistema Único de Saúde foi oficializada após avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. A portaria foi publicada nesta semana pelo Ministério da Saúde, que terá até 180 dias para iniciar a distribuição dos dispositivos à rede de atendimento.
O exame é rápido, indolor e não utiliza radiação. Apesar disso, o equipamento não substitui o acompanhamento médico, o pré-natal e a assistência profissional durante a gestação e o parto.
De acordo com dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, o Brasil registrou mais de 487 mil nascimentos prematuros entre 2024 e 2025, o que representa cerca de 12,3% do total de nascidos vivos no período.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa reforça o investimento em ciência e inovação para melhorar o atendimento à população, especialmente em regiões remotas. A tecnologia também pode ajudar em situações em que não há informações precisas sobre o tempo de gestação, como nos casos em que a gestante não realizou ultrassom no início da gravidez ou não sabe informar a data da última menstruação.
Além da estimativa da idade gestacional, o PreemieTest oferece indicação mais assertiva sobre a necessidade de internação em UTI neonatal, de uso de suporte ventilatório e a de ocorrência da síndrome do desconforto respiratório (SDR).
O desenvolvimento do dispositivo pelos pesquisadores da UFMG contou com investimento estratégico do Ministério da Saúde, por meio do Programa de Desenvolvimento do Complexo Industrial da Saúde (Procis), política voltada a transformar inovação científica em soluções concretas para necessidades prioritárias do SUS.
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