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Sexta-feira 13 e a “Maldição do Marco”: lenda atravessa gerações na fronteira

Monumento que simboliza a soberania nacional e o fim de um litígio secular entre Brasil e Argentina também é cercado por relatos que desafiam a lógica e resistem ao tempo

Sexta-feira 13 e a “Maldição do Marco”: lenda atravessa gerações na fronteira
Foto: Everson Coutinho /Portal Tri

Sexta-feira 13. Data que, ao longo dos séculos, ficou marcada no imaginário popular como um dia carregado de mistérios, superstições e histórias que atravessam gerações. Para muitos, é apenas coincidência. Para outros, é um período em que o inexplicável parece ganhar força.

É justamente nesse clima que uma antiga história da fronteira volta a circular entre moradores de Dionísio Cerqueira e Bernardo de Irigoyen.

VEJA O VÍDEO:

Erguido no ponto mais ocidental de Santa Catarina, o chamado Marco Grande foi inaugurado em 2 de julho de 1903, dois dias antes da instalação oficial da então vila de Dionísio Cerqueira. O monumento tornou-se símbolo da consolidação definitiva dos limites entre Brasil e Argentina, encerrando um litígio secular resolvido de forma diplomática.

A definição territorial teve como base tratados históricos, como os de Madri e Santo Ildefonso, e foi pacificada por meio do laudo do presidente norte-americano Grover Cleveland, nomeado árbitro internacional da questão. A decisão assegurou ao Brasil todo o Extremo-Oeste e parte do Oeste catarinense — áreas também reivindicadas pela Argentina à época.

Construído em formato piramidal, em alvenaria de pedras irregulares trazidas em lombo de mulas desde Porto União, o monumento possui 4,50 metros de altura e dois metros de lado. Suas faces estão voltadas para as nascentes dos três principais rios da região: Paraná, Iguaçu e Uruguai.

Em um dos lados está o escudo argentino; em outro, a data de inauguração (1903); e no terceiro, o escudo brasileiro, abaixo do qual foi instalada, em 1930, uma placa de bronze alusiva à Inspeção das Fronteiras realizada pelo general Cândido Mariano da Silva Rondon.

Símbolo de soberania e da resolução pacífica de disputas territoriais, o Marco Grande carrega peso histórico. Mas, ao longo das décadas, também passou a ser envolto por narrativas que atravessam gerações.

As lendas que cercam o monumento

Segundo registros históricos e tradição oral, duas lendas passaram a acompanhar o monumento.

A primeira afirma que bater com algum instrumento na placa de bronze onde consta a inscrição “Ministério da Guerra” equivaleria a uma declaração formal de guerra contra a Argentina. Relatos antigos apontam que jovens da época batiam na placa, provocando forte ressonância, e saíam correndo para se esconder no mato, temendo um suposto “ataque” imediato dos vizinhos argentinos.

A segunda é a mais conhecida e a mais impressionante.

Popularmente chamada de “Maldição do Marco”, ela remete a uma prática atribuída aos padres jesuítas durante o período colonial. Segundo a narrativa, quando tesouros eram enterrados na região, um escravizado que ajudava a cavar o local seria morto e sepultado junto ao esconderijo, tornando-se o “guardião” espiritual do bem oculto.

De acordo com a tradição, algo semelhante teria ocorrido durante a construção do Marco Grande. Um dos trabalhadores que ergueram a estrutura de pedra — descrita como oca por dentro — teria morrido, possivelmente em acidente de trabalho ou por outra causa desconhecida, e seu corpo teria permanecido no interior da construção.

Para preservar o monumento intacto, teria sido lançada a seguinte maldição:

“De um grupo de três pessoas que tirar uma fotografia junto ao Marco, uma delas haverá de falecer dentro de dois anos.”

O relato afirma que diversos casos teriam “confirmado” a profecia ao longo do tempo. Por isso, até hoje há quem evite fotografar em trio diante do monumento, optando por fotos individuais ou em duplas.

História e imaginário

Não há qualquer comprovação documental ou registro oficial que sustente as supostas maldições. Historiadores classificam os relatos como parte do folclore regional, algo comum em cidades de fronteira, onde episódios históricos, disputas territoriais e memórias coletivas acabam se misturando ao imaginário popular.

Ainda assim, nesta sexta-feira 13, quando o imaginário coletivo se intensifica e o mistério parece ganhar novas cores, as histórias voltam à tona e reacendem a curiosidade.

Entre tratados diplomáticos que definiram o mapa do Brasil e lendas que desafiam a razão, o Marco Grande permanece firme, dividindo nações, mas unindo narrativas que ajudam a construir a identidade cultural da fronteira.

E você, acredita em coincidência… ou prefere não arriscar?

Fonte das informações

As informações foram obtidas da obra As Cidades Gêmeas (2003), de Gilberto Shereiner Pereira, publicada pela Editora Odorizzi, especialmente no capítulo A Maldição do Marco (páginas 175 e 176).

O levantamento contou ainda com o apoio da Associação Nacional de Pesquisa Histórica da Fronteira, entidade que, além de colaborar com os dados, mantém um acervo histórico com centenas de obras, entre livros, artigos e documentos catalogados relacionados a Dionísio Cerqueira.

A associação prepara, ainda para este ano, a inauguração de uma biblioteca histórica voltada à pesquisa e à preservação da memória municipal.

Reportagem produzida por Everson Coutinho / Portal Tri 

 
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