O filho de Márcio Elizeu Melo e Patriane Arruda Melo foi condenado por encomendar a morte do pai e ter tentado assassinar a própria mãe em Indaial, no começo do ano passado. Ele e um comparsa entraram na casa das vítimas e as atacaram a facadas. Sobrevivente, Patriane falou durante o julgamento desta quinta-feira (28), mas pediu que o depoimento fosse feito sem a presença do público.
Matheus Melo tinha 18 anos quando planejou a morte dos pais, sustentou a acusação. Naquela noite de janeiro, repassou ao amigo, Marcos Schwinden, detalhes sobre a localização das câmeras de segurança dentro do imóvel, indicando onde estava o ponto-cego que permitiria a entrada na residência sem ser registrada.
A investigação policial indicou que o casal foi dormir e o filho saiu do imóvel com uma mochila nas costas. Ele deixou a janela do quarto de hóspedes aberta. Matheus foi até a casa do amigo, vestiu outra roupa e voltou junto com Marcos.
O pai ouviu o barulho da chegada e acordou, o que não estava nos planos, pois o jovem teria dito que a ideia era cometer o crime enquanto o casal dormia. O pai tentou lutar com Marcos, mas foi morto. Já a mãe foi atacada por Matheus e, apesar de ferida, sobreviveu.
Filho único, Matheus tinha um “ódio grande dos pais”, nas palavras do delegado que investigou o caso, Filipe Martins, e também queria usar o patrimônio que herdaria para um objetivo ilícito. Após as mortes ele desejava entrar no mercado de produção de maconha. Com a venda de parte dos bens dos pais ele compraria uma chácara. O filho almejava cuidar do cultivo da droga enquanto o comparsa ficaria responsável pela venda.
Nesta quinta-feira, durante o júri popular, ambos foram considerados culpados. Matheus foi condenado a 42 anos de reclusão por homicídio e tentativa de assassinato qualificado por motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante surpresa que impossibilitou a defesa da vítima; além da corrupção de menores devido ao envolvimento de uma adolescente.
Já o amigo terá de cumprir 41 anos de reclusão pelos mesmos crimes. Como o julgamento ocorreu em primeira instância, ambos podem recorrer.
Advogado de Matheus, Luís Obregon enfatizou que a motivação não foi torpe (relacionada ao desejo da herança) e está ligada à criação do rapaz, que tem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista. O defensor vai recorrer da decisão ainda nesta sexta-feira (29). Antes do júri, a advogada de Marcos, Edileia Buzzi, negou a participação do cliente no crime:
— Não existem provas materiais que vinculem Marcos aos fatos e, inclusive, câmeras de segurança comprovam que a pessoa que a aparece ao lado de Matheus tem estatura incompatível com a dele — declarou.
NSC