Até o fim do estoque das geladeiras mais baratas do mercado brasileiro, uma nova exigência imposta pelo governo vai provocar promoções dos "aparelhos mais gastões" nas lojas a partir do ano que vem. É o que prevê o Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo).
Uma nova determinação do Ministério de Minas e Energia, que passa a valer em 31 de dezembro, exige que os refrigeradores tenham eficiência energética de, ao menos, 85,5%. A partir de 2025, a régua sobe um pouco mais, e a indústria precisará adequar as geladeiras para 90% de eficiência.
Com isso, as lojas que possuem aparelhos em estoque terão o prazo de dois anos para vender os itens que não atendem à nova regra. Ao R7, o presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, Claudio Felisoni, garantiu que a única saída para o comércio é criar promoções, a fim de desovar os aparelhos armazenados.
A reportagem procurou grandes redes do varejo — como Magazine Luiza e Casas Bahia — para comentar o assunto, mas elas não se posicionaram sobre a medida anunciada no final de novembro.
Dessa forma, oito de cada dez aparelhos (83%) não poderão mais ser vendidos. Apenas os itens de alto padrão, com preço mínimo entre R$ 4.000 e R$ 5.000, estarão disponíveis nas lojas. Atualmente, o valor de entrada dos refrigeradores varia em torno de R$ 2.000.
"É necessário considerar a realidade brasileira. Infelizmente, com as novas regras, o consumidor de baixa renda será o mais prejudicado e, consequentemente, a indústria e seus colaboradores [também serão]. Desinvestimentos e perda de centenas de postos de trabalho podem ocorrer nos próximos meses. Apresentamos ao governo estudos técnicos mostrando esse cenário ruim para a economia do país; porém, infelizmente, não foram considerados", explicou o diretor da associação, Renato Alves.
Eficiência energética
Segundo estudo da instituição, a nova exigência trará economia de R$ 174 a R$ 822 na tarifa de energia ao longo da vida útil das geladeiras, que duram uma média de dez anos.
R7