Popularizou-se no Brasil uma nova forma de tabagismo: o cigarro eletrônico. Apesar de ser proibido em todo o país desde 2009, um estudo do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) mostra que entre 2018 e 2022 o consumo quadruplicou.
Atualmente, a estimativa é de que 2,2 milhões de brasileiros utilizem “vape” – nome popularmente dado ao produto.
Por se tratar de uma mercadoria ilegal, não há qualquer tipo de fiscalização sobre a qualidade dos cigarros eletrônicos comercializados. Essa falta de regulamentação resulta em produtos extremamente prejudiciais para a saúde, já que o consumidor sequer sabe quais toxinas está ingerindo e quais as possíveis consequências.
“Nós não sabemos quem fabrica esses produtos, quais são as substâncias que estão sendo misturadas, a quantidade de nicotina e nem a qualidade de nicotina que está sendo ofertada nesses vaporizadores.”, alerta a farmacêutica e ex- diretora da Anvisa, Alessandra Bastos.
Esse quadro pode ser o começo de uma questão de saúde pública, já que os Estados Unidos passaram por contexto semelhante quando surgiu a crise Evali - causada em 2019 pela utilização do Acetato de Vitamina E como diluente do THC (princípio ativo da maconha) em vaporizadores ilegais ou adulterados. Nesse caso, o problema foi resolvido dois anos depois, com a regulamentação da venda de cigarros eletrônicos.
Além de criar um problema de saúde pública, a falta de regulamentação fortalece a desinformação sobre o tema. Afinal, existe um estigma sobre os dispositivos que não se justifica quando falamos sobre cigarros eletrônicos regulamentados: um estudo publicado pelo Ministério da Saúde da Inglaterra comprovou que, quando regularizados, eles são 20 vezes menos nocivos à saúde do que cigarros tradicionais.
Portal Tri com informações R7